*Sêmia Mauad/Opinião MT
O advogado Rodrigo Pouso Miranda, que atua como assistente de acusação representando a família da empresária Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, divulgou um novo vídeo nas redes sociais. As imagens, veiculadas na noite da última sexta-feira, dia 11 de setembro, somam mais de oito minutos de gravação e são apontadas pela defesa como prova de que o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, de 36 anos, tinha plena consciência dos atos praticados.
O material inédito mostra o acusado pegando uma faca, colocando o objeto fora do alcance da câmera e observando atentamente o quarto onde a empresária e a filha dormiam. Segundo a acusação, as cenas indicam planejamento e refutam categoricamente a tese de insanidade mental ou surto psicótico sustentada pela defesa de Daniel.
Em trechos das imagens, o advogado chama a atenção para o fato de o engenheiro olhar diretamente para o equipamento. Ainda segundo a defesa, o acusado tenta retirar o cartão de memória, demonstrando preocupação em ocultar o crime. O inquérito aponta que o assassinato ocorreu nas primeiras horas do dia 24 de junho de 2025, por volta das 6h55.
O contexto anterior ao crime também revelam tensões financeiras na relação. Em áudio enviado a uma prima e divulgado, a própria empresária relatava dificuldades e a necessidade de vender um apartamento em Cuiabá, justificando: “Como o Daniel agora não tem renda e tal, ele apertou um pouco o orçamento e a gente tem que desfazer desse apartamento”.
POLÊMICA SOBRE O SIGILO E CUSTOS PÚBLICOS
A divulgação das imagens gerou forte embate jurídico. No último domingo, dia 6 de setembro, o irmão do acusado registrou um boletim de ocorrência contra o advogado Rodrigo Pouso Miranda, alegando que a exposição das câmeras de segurança violaria o segredo de justiça e exigindo a retirada das gravações das redes sociais.
Em contrapartida, a acusação sustenta que o material não integra os autos do processo e, portanto, não está submetido a sigilo judicial, pertencendo inclusive ao patrimônio das filhas da vítima.
“Esse vídeo não está relacionado com processo nenhum. Esse vídeo não tem sigilo. Esse vídeo é de propriedade, inclusive, das filhas da vítima”, pontuou o advogado.
A revolta da família também se estende ao tratamento psiquiátrico concedido ao réu confesso. Em publicações recentes, a biomédica Caroline Fernandes, filha da empresária, classificou como uma “piada de mau gosto” o gasto de mais de R$ 200 mil dos cofres públicos com a internação do padrasto em um centro psicossocial em Cuiabá. Caroline cobrou isonomia no cumprimento da pena e questionou a seletividade do diagnóstico de esquizofrenia.
RELEMBRE O CRIME
Gleici Keli Geraldo de Souza foi assassinada com 21 facadas enquanto dormia na residência do casal em Lucas do Rio Verde. Na mesma ocasião, o agressor atacou a enteada de 7 anos, que foi atingida por sete golpes de faca e sobreviveu após cuidados intensivos em UTI. Além da disputa em torno da sanidade mental do réu, o processo de inventário também registra tentativas do acusado de pleitear metade dos bens e aluguéis deixados pela vítima.
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