*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) ofereceu denúncia criminal contra o médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, acusado de coagir e ameaçar a promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo, responsável pela acusação no processo em que ele responde pelo feminicídio da namorada, uma adolescente de 15 anos.
A denúncia foi protocolada no último dia 15 de outubro e é assinada pela promotora de Justiça Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes. O caso aguarda análise do Poder Judiciário.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, as ameaças ocorreram em 30 de junho de 2026, no Centro de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo, onde o médico cumpria prisão preventiva antes de ser transferido, em julho, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
Durante o banho de sol, Bruno demonstrou profundo descontentamento com a atuação de Rebeca Santana Rêgo e perguntou a outro detento se ele conhecia alguém que pudesse cometer um atentado contra a promotora. O médico afirmou abertamente que não queria a participação dela no julgamento perante o Tribunal do Júri, alegando que a representante do Ministério Público “iria foder com a vida dele”, e declarou-se disposto a pagar uma quantia em dinheiro para a execução do crime.
Depoimentos de outros detentos que dividiam a cela com o réu confirmaram às autoridades o descontentamento ostensivo e o plano do médico contra a promotora.
“As declarações, diretamente relacionadas à atuação funcional da vítima, evidenciaram o propósito de intimidá-la e impedir ou dificultar o regular exercício de suas atribuições ministeriais”, destacou a promotora Andreia Monte Alegre na denúncia.
Diante da gravidade dos fatos e do crime ter sido praticado mediante grave ameaça, o Ministério Público deixou de oferecer qualquer proposta de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) ou de Suspensão Condicional do Processo.
O MPMT requereu à Justiça o recebimento formal da denúncia e a citação do médico para apresentar defesa, além do prosseguimento da ação penal pelo crime de coação no curso do processo. A fixação de um valor mínimo para reparação de danos morais e extrapatrimoniais em favor da promotora de Justiça.
O CRIME DE FEMINICÍDIO
Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello está preso preventivamente desde 5 de maio de 2025. Ele é acusado de assassinar a namorada, de apenas 15 anos, com um tiro na cabeça no dia 3 de maio de 2025, no município de Guarantã do Norte, interior de Mato Grosso.
Na data do crime, o próprio médico levou a adolescente ao hospital da cidade, onde ela não resistiu aos ferimentos. Inicialmente, Bruno sustentou a versão de que a jovem havia tirado a própria vida. No entanto, as investigações da Polícia Civil apontaram o médico como o autor do disparo. Posteriormente, ele alegou que estava no carro com a jovem e pegou a arma acreditando que estava sem munição, apontando-a para a cabeça da adolescente e puxando o gatilho.
O médico foi pronunciado para ser julgado pelo Tribunal do Júri por feminicídio qualificado, além de responder por crimes de trânsito e por fornecer bebida alcoólica a menor de idade.
A data do júri popular ainda não foi divulgada e o processo principal tramita sob segredo de Justiça.

