A Caixa Econômica Federal divulgou nesta quinta-feira os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026, registrando lucro da Caixa de R$ 3,5 bilhões no período. O desempenho representa uma retração de 34,4% em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. Segundo a instituição, o principal fator para a queda foi o aumento expressivo das provisões destinadas à cobertura de perdas com crédito, impulsionado pelas novas regras estabelecidas pelo Banco Central.
Lucro da Caixa sofre impacto das novas regras do Banco Central
O balanço apresentado pelo banco aponta que as provisões para perdas mais do que dobraram em 12 meses. As mudanças regulatórias promovidas pelo Banco Central do Brasil alteraram a metodologia utilizada pelas instituições financeiras para calcular riscos de inadimplência.
Com a nova regra, os bancos passaram a considerar perdas esperadas nas operações de crédito, e não apenas prejuízos já efetivamente registrados. Dessa forma, as instituições precisam reservar valores maiores para garantir maior segurança financeira diante de possíveis calotes. A Caixa informou que a adaptação ao novo modelo regulatório elevou significativamente o volume de recursos separados para cobrir riscos da carteira de crédito, pressionando diretamente o resultado trimestral.
Provisões cresceram mais de 200% em um ano
De acordo com os números divulgados, a provisão para perdas alcançou R$ 6,5 bilhões no trimestre, representando um crescimento de 225% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, o índice de inadimplência da instituição também apresentou avanço. O percentual subiu 1,22 ponto percentual e atingiu 3,71% ao final de março de 2026.
Apesar do aumento das reservas financeiras, o banco ressaltou que o cenário não representa necessariamente uma deterioração da qualidade da carteira de crédito. Em nota oficial, a instituição afirmou que o crescimento das provisões está diretamente ligado à transição das normas regulatórias determinadas pelo Banco Central.
Crédito imobiliário mantém crescimento mesmo com queda no lucro da Caixa
Mesmo diante do recuo no resultado financeiro, a Caixa manteve expansão em sua carteira de crédito, especialmente no segmento imobiliário. O banco continua liderando o mercado habitacional brasileiro e reforçou sua posição no setor durante o primeiro trimestre.
Os financiamentos imobiliários movimentaram R$ 64,2 bilhões nos três primeiros meses do ano. A carteira de crédito habitacional somou R$ 966,2 bilhões, garantindo à estatal uma participação de 68% no mercado nacional. A carteira total de crédito da instituição atingiu R$ 1,41 trilhão no período analisado.
Carteiras de pessoa física, empresas e agronegócio avançam
Na divisão de pessoa física, a carteira alcançou R$ 154,9 bilhões. O crédito consignado segue como principal modalidade, totalizando R$ 114,2 bilhões. Já a carteira de pessoa jurídica encerrou o trimestre em R$ 114,3 bilhões. O agronegócio também apresentou crescimento, chegando ao saldo de R$ 64,9 bilhões.
Os dados demonstram que, apesar da pressão provocada pelas provisões, o banco manteve a expansão das operações de crédito em diferentes segmentos da economia.
Receitas e ativos da Caixa seguem em patamar elevado
O relatório financeiro ainda mostra que a margem financeira da Caixa ficou em R$ 18,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026. As receitas obtidas com prestação de serviços somaram R$ 7,4 bilhões. As despesas operacionais da instituição atingiram R$ 11,5 bilhões no período. Enquanto isso, os ativos totais do banco chegaram ao patamar de R$ 2,4 trilhões.
Os números reforçam a dimensão da estatal no sistema financeiro brasileiro, principalmente em áreas ligadas ao crédito habitacional, consignado e programas de financiamento.

