A Justiça de São Paulo decretou a falência de 33 empresas do Grupo Ricoy, responsável pelas operações das redes Ricoy e Vencedor Atacadista no varejo alimentar. A decisão encerra o processo de recuperação judicial iniciado em novembro de 2025, depois que os credores rejeitaram o plano apresentado pelas empresas para tentar reorganizar suas finanças.
Grupo Ricoy entra em processo de falência
A conversão da recuperação judicial em falência ocorreu após a proposta de reestruturação apresentada pelo Grupo Ricoy não conseguir a aprovação necessária durante a assembleia de credores.
O plano alternativo apresentado posteriormente também não alcançou o percentual mínimo necessário para ser colocado em votação. Segundo as informações do processo, a proposta recebeu somente 0,185% dos votos dos credores presentes, enquanto seriam necessários pelo menos 35% de apoio.
As empresas envolvidas no processo acumulam aproximadamente R$ 461 milhões em dívidas sujeitas à recuperação judicial. O passivo envolve mais de 4,6 mil credores, que agora deverão participar das etapas previstas no processo de falência para tentar receber os valores devidos.
O grupo possui mais de quatro décadas de atuação no comércio varejista de alimentos e atribuiu as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores que afetaram o setor nos últimos anos.
Entre os motivos apontados estão o crescimento dos atacarejos e das grandes redes no mercado paulista, a diminuição das margens de lucro, os efeitos tributários relacionados à incorporação do Grupo Russi e o aumento das taxas de juros e dos custos para manter capital de giro.
Operação do Grupo Ricoy já vinha sendo reduzida
Quando o pedido de recuperação judicial foi iniciado, o grupo mantinha 33 lojas em funcionamento. Entretanto, segundo os dados apresentados no processo, o faturamento mensal da operação estava abaixo do chamado ponto de equilíbrio, estimado em aproximadamente R$ 45 milhões.
Durante o andamento da recuperação judicial, a situação operacional se deteriorou. Ao menos 19 unidades deixaram de funcionar, reduzindo significativamente a presença das empresas no mercado.
A administradora judicial também informou que, desde fevereiro de 2026, as empresas deixaram de apresentar regularmente documentos financeiros, contábeis, trabalhistas e operacionais solicitados durante o processo.
Situação encontrada nas unidades
Relatórios produzidos pela administradora judicial apontaram que, em agosto, nenhuma das unidades mantinha funcionamento considerado regular.
Alguns estabelecimentos ainda possuíam funcionários e chegaram a abrir as portas de maneira pontual. No entanto, conforme os registros apresentados no processo, não havia produtos disponíveis para comercialização nessas ocasiões.
A existência da decretação de falência, porém, não significa necessariamente que todas as lojas tenham de ser fechadas imediatamente. A definição sobre os estabelecimentos dependerá das etapas de arrecadação, avaliação e liquidação dos bens pertencentes às empresas.
O que vai acontecer com as lojas do Grupo Ricoy?
A partir da decretação da falência, a Vivante Gestão e Administração Judicial deverá atuar na arrecadação, identificação e avaliação dos bens pertencentes às empresas atingidas pela decisão.
O procedimento deverá envolver imóveis, veículos, equipamentos, documentos, livros contábeis e outros ativos que possam integrar o patrimônio das companhias.
A Justiça também determinou medidas para preservar os bens e recursos das empresas durante o processo. Entre elas está o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros, além de veículos e imóveis registrados em nome das companhias.
Também ficam restritas operações de venda ou transferência de patrimônio sem autorização judicial.
Fábrica de laticínios está com atividades suspensas
Outro ponto mencionado no processo envolve a fábrica de laticínios pertencente ao grupo e localizada no Mato Grosso. Conforme as informações apresentadas à Justiça, a unidade está com as atividades paralisadas.
A administradora judicial também relatou situações envolvendo equipamentos utilizados para pagamentos com cartão em determinadas lojas. Segundo o relatório, algumas máquinas estariam direcionando os valores recebidos para empresas que não faziam parte das companhias submetidas à recuperação judicial.
Esses elementos foram considerados pela Justiça na análise da situação patrimonial e operacional das empresas.
Credores terão prazo para apresentar informações
Com a falência decretada, o processo passa para uma nova etapa. A administradora judicial deverá realizar o levantamento dos ativos, documentos e obrigações das empresas, além de organizar as informações relacionadas aos credores.
Depois da publicação do relatório correspondente, os credores terão 15 dias para apresentar habilitações ou divergências diretamente à administradora judicial.
Esse procedimento permitirá atualizar a relação de pessoas e empresas que possuem valores a receber e verificar eventuais diferenças entre os créditos apresentados e aqueles reconhecidos no processo.
A Justiça também suspendeu ações e execuções contra as empresas falidas, respeitando as exceções estabelecidas pela legislação aplicável ao processo de falência.
Justiça aponta possível esvaziamento patrimonial
Na decisão, a Justiça considerou que o caso apresenta elementos relacionados à rejeição do plano de recuperação judicial e à redução substancial do patrimônio das empresas.
De acordo com a decisão, a situação poderia comprometer a continuidade das atividades e prejudicar os interesses dos credores, levando à necessidade de liquidação dos ativos das companhias.
A falência, nesse contexto, passa a organizar judicialmente o patrimônio restante das empresas para que os bens sejam identificados, avaliados e posteriormente destinados conforme as regras estabelecidas pela legislação.
Situação das lojas em Franco da Rocha e Caieiras
O processo analisado não apresenta informações detalhadas sobre a situação individual das unidades do Grupo Ricoy em Franco da Rocha e Caieiras.
A decisão também não estabelece, de forma expressa, o fechamento imediato dessas lojas. Dessa maneira, a situação de cada estabelecimento deverá ser esclarecida durante o trabalho de levantamento patrimonial e operacional conduzido no processo de falência.
Até o momento, também não consta no documento analisado uma manifestação oficial do Grupo Ricoy sobre a continuidade das atividades nas duas cidades.
A reportagem procurou a empresa para obter informações sobre a situação das unidades, o funcionamento dos estabelecimentos e os próximos passos após a decisão judicial. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

