*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) utilizou as redes sociais na última terça-feira, dia 1º de setembro para subir o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Em vídeo publicado, Medeiros pediu publicamente a prisão do ministro Alexandre de Moraes, repercutindo a divulgação de mensagens atribuídas ao magistrado e ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
O parlamentar tentou estabelecer uma comparação com episódios emblemáticos da Operação Lava Jato, resgatando a prisão do ex-senador Delcídio do Amaral, ocorrida em 2015 por ordem do próprio STF após a revelação de áudios em que discutia medidas para evitar que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró firmasse acordo de delação premiada.
“Eu estava no Senado quando o então Delcídio do Amaral conversou e tinha o áudio dele conversando com Cerveró a respeito de uma possível fuga do Cerveró. O STF mandou prender o Delcídio do Amaral e ele foi preso. O ministro Alexandre de Moraes tinha uma conversa similar com o Vorcaro. Então eu venho aqui encarecidamente pedir ao ministro André Mendonça: o senhor precisa prender Alexandre de Moraes. Pau que bate em Chico tem que bater em Alexandre também. Não pode existir dois pesos e duas medidas”, declarou Medeiros no vídeo.
O CONTEXTO DAS INVESTIGAÇÕES
A declaração do deputado ocorre em meio às repercussões de investigações conduzidas pela Polícia Federal, que encontrou no celular de Daniel Vorcaro registros de mensagens que mencionam supostos pedidos de ajuda direcionados a figuras centrais da República, identificados preliminarmente pelos investigadores como referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. O material foi encaminhado para análise do ministro André Mendonça e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre os pontos levantados nas apurações, a PF identificou tratativas associadas a um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e um escritório de advocacia pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. De acordo com informações levantadas sobre o caso, o magistrado teria colaborado com edições em uma minuta contratual e consultado o setor de compliance da instituição para verificar eventuais impedimentos legais.
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