*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O desdobramento da Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira, dia 25 de agosto, e que resultou na prisão da empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, sócia-administradora do Tatu Bola Bar, na Praça Popular, traz à tona um histórico familiar ligado a investigações de criminalidade organizada e tráfico internacional de drogas.
O irmão da empresária, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, possui ficha criminal na Justiça Federal e já havia sido preso em flagrante anteriormente em uma operação de grande repercussão interestadual.
Em fevereiro de 2025, Márcio Rabello Mesquita Theodoro foi preso em flagrante quando pilotava uma aeronave modelo Cessna 210M, de prefixo PS-PIX. O avião realizou um pouso irregular em uma pista localizada na zona rural do município de Caseara, no estado do Tocantins.
A abordagem foi realizada de forma conjunta pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Goiás e Tocantins, com apoio da Polícia Militar de Goiás.
Na ocasião, a aeronave estava abarrotada de entorpecentes: aproximadamente 475 kg de cloridrato de cocaína e pasta base, além de cerca de 787 gramas de maconha/haxixe em tabletes.
Além de Márcio, outras quatro pessoas foram detidas em flagrante na pista clandestina: Antonio Junior Silva Ferreira, Rogério Alves da Silva, Lindomar Rodrigues Coelho e Onace Delmondes Bezerra.
Durante a audiência de custódia, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva pela Justiça Federal do Tocantins, que apontou a existência de uma atuação estruturada voltada ao tráfico.
Pelos fatos, Márcio responde a uma lista de crimes na Justiça Federal, que inclui tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, uso de documento falso, porte ilegal de arma de fogo de uso restrit, além de atentado contra a segurança do transporte aéreo.
HISTÓRICO CRIMINAL ANTIGO
O envolvimento com a criminalidade organizada não é recente. Em 2015, Márcio Rabello já havia sido um dos alvos da Operação Hybris, deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de desarticular esquemas de tráfico de drogas.
Na época, ele foi identificado pelas autoridades como um traficante que teria auxiliado diretamente no sequestro de uma criança em Cuiabá. Conhecido pelos apelidos de “Frango”, ele chegou a confessar perante as autoridades a participação no crime de sequestro.
ENTENDA A OPERAÇÃO QUE CULMINOU NA PRISÃO DA EMPRESÁRIA
A prisão de Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro ocorreu na última terça-feira, dia 25 de agosto, durante a Operação Bóreas, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal do Tocantins, com o apoio da Ficco e de agentes federais do Pará.
A ofensiva teve como foco o desmantelamento de uma organização criminosa especializada na logística de transporte aéreo internacional de drogas e armas de fogo. Segundo a PF, o grupo utilizava voos clandestinos, aeronaves de pequeno porte e pistas de pouso clandestinas para escoar carregamentos de cocaína oriundos da Bolívia e do Peru com destino ao território brasileiro.
No total, a Operação Bóreas cumpriu três mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão em Cuiabá (MT) e Palmas (TO). A 4ª Vara Federal de Palmas também determinou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos suspeitos, além da apreensão de aeronaves. Diante da envergadura internacional da rede, a Polícia Federal solicitou a inclusão de dez investigados na Difusão Vermelha da Interpol.
SITUAÇÃO DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL
Dados da Receita Federal apontam que Thatiana é a única sócia-administradora da TRMT Restaurante Ltda., nome fantasia Tatu Bola, aberta em março de 2024 na Praça Popular, com capital social de R$ 100 mil.
Até o momento, não há indícios ou informações de que o estabelecimento comercial tenha sido alvo de buscas ou utilizado para fins ilícitos.
A Polícia Federal ainda não detalhou publicamente a conduta específica atribuída à empresária no esquema.
Os alvos da Operação Bóreas respondem por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

