A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) manifestou preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada na terça-feira (15), a entidade afirmou que a medida representa um prejuízo para a competitividade da indústria nacional e avaliou que a situação poderia ter sido evitada por meio de uma condução mais técnica e pragmática das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Fiesp aponta impactos da tarifa sobre exportações brasileiras
Segundo a entidade, a sobretaxa anunciada pelo governo norte-americano tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros em um dos principais mercados consumidores de bens industrializados de maior valor agregado. Na avaliação da federação, a decisão cria um cenário desfavorável para empresas que já enfrentam obstáculos internos, como elevada carga tributária, custos financeiros elevados e outros fatores que afetam a capacidade de competir internacionalmente.
O comunicado ressalta ainda que a tarifa foi aplicada exclusivamente ao Brasil, o que, na visão da instituição, coloca o país em desvantagem diante de outros concorrentes globais que continuam exportando sem a incidência da nova cobrança.
Entidade critica condução diplomática do governo
No posicionamento oficial, a federação atribuiu parte do cenário atual à forma como o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos foi conduzido pelo governo federal. De acordo com a nota, em um período marcado por elevada sensibilidade econômica internacional, manifestações públicas consideradas desnecessárias, críticas direcionadas ao governo norte-americano e divergências políticas acabaram comprometendo uma relação bilateral construída ao longo de mais de dois séculos.
Ainda conforme o texto divulgado, a entidade entende que uma estratégia baseada em critérios técnicos e negociações diplomáticas poderia ter reduzido o risco da adoção da medida comercial anunciada pelos Estados Unidos.
Presidente da Fiesp destaca dificuldades enfrentadas pela indústria
O presidente da federação, Paulo Skaf, afirmou que o mercado norte-americano ocupa posição estratégica para diversos setores da indústria brasileira, especialmente aqueles voltados à produção de bens de maior valor agregado.
Segundo ele, a nova tarifa representa mais um desafio para o setor produtivo nacional, que já convive com um ambiente econômico complexo. Entre os fatores mencionados estão a elevada carga tributária, os juros reais considerados altos e outras dificuldades estruturais que afetam a competitividade das empresas brasileiras.
Na avaliação apresentada pela entidade, a combinação desses fatores com a nova cobrança sobre exportações tende a ampliar os custos enfrentados pelos exportadores e dificultar a manutenção da participação brasileira no mercado dos Estados Unidos.
Investigação comercial motivou decisão dos Estados Unidos
A confirmação da tarifa adicional foi feita pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pelas negociações comerciais do país. A medida passa a valer em 22 de julho e é resultado de uma investigação conduzida ao longo de aproximadamente um ano.
O procedimento foi realizado com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, legislação que autoriza o governo norte-americano a investigar práticas comerciais de outros países consideradas prejudiciais aos interesses econômicos dos Estados Unidos.
Durante a apuração, o governo norte-americano alegou que determinadas políticas brasileiras criariam barreiras ao comércio bilateral ou restringiriam o acesso de empresas dos EUA ao mercado nacional.
Temas citados pelo governo norte-americano
Entre os pontos apresentados pelas autoridades dos Estados Unidos durante a investigação estão questões relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos PIX, às condições de acesso ao mercado brasileiro de etanol, além de preocupações envolvendo desmatamento ilegal e combate à pirataria.
Esses temas foram utilizados como parte da justificativa para a adoção da tarifa adicional sobre produtos brasileiros, segundo o relatório elaborado pelas autoridades comerciais norte-americanas.
Fiesp afirma que continuará negociando com parceiros norte-americanos
Apesar das críticas direcionadas ao governo brasileiro, a federação informou que pretende manter uma atuação voltada ao diálogo institucional com representantes dos Estados Unidos. A entidade declarou que continuará trabalhando junto a parceiros e autoridades norte-americanas em busca de alternativas que permitam reduzir os efeitos da medida.
Entre os objetivos apresentados pela instituição está a tentativa de ampliar a lista de produtos isentos da tarifa ou buscar mecanismos que possibilitem a revisão parcial ou integral da sobretaxa anunciada.
A federação também destacou que participou de audiências públicas realizadas durante o processo de investigação conduzido pelo governo dos Estados Unidos e afirmou que continuará defendendo soluções negociadas para preservar as exportações brasileiras.
Veja abaixo a nota na íntegra:
“A Fiesp lamenta, com profunda preocupação, a aplicação de uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado norte-americano. A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais.
Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral.
A retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA e outras oportunidades no último ano.
“O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
A Fiesp reafirma seu compromisso com a diplomacia empresarial e seguirá trabalhando de forma construtiva junto a parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou parcialmente mitigadas na ampliação da lista de isenções”.

