O governo federal voltou ao centro do debate após admitir a possibilidade de rever a taxa das blusinhas, imposto de 20% aplicado sobre compras internacionais de até 50 dólares. A sinalização foi dada pelo ministro Guilherme Boulos, em meio a um cenário de desgaste político e divergências dentro da própria gestão.
Taxa das blusinhas pode ser revista
Durante entrevista concedida à GloboNews, Boulos afirmou que a revogação da medida não está descartada. Segundo ele, a criação da chamada taxa das blusinhas não partiu originalmente do Executivo, mas sim do Congresso Nacional, após pressão de setores do varejo.
O ministro explicou que o texto enviado pelo governo não previa a cobrança, que acabou sendo incluída durante a tramitação legislativa. A declaração ocorre em um momento de intensificação do debate sobre os impactos da medida na economia e na popularidade do governo.
Origem da taxação no Congresso
De acordo com Boulos, a inclusão do imposto foi resultado direto da atuação de parlamentares e de interesses do setor varejista nacional. A proposta original do governo não contemplava a tributação de compras de baixo valor feitas no exterior.
A medida passou a ser alvo de críticas principalmente por atingir consumidores de menor poder aquisitivo, que recorrem a plataformas internacionais para adquirir produtos mais baratos.
Lula reconhece impacto negativo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o tema nos últimos dias. Em entrevista a veículos de mídia independentes, Lula classificou a cobrança como desnecessária.
Segundo o presidente, a taxa atingiu diretamente consumidores de baixa renda e gerou desgaste político para o governo. Ele reconheceu que a medida trouxe prejuízos à imagem da gestão, especialmente entre eleitores mais sensíveis ao aumento de custos no consumo.
Repercussão entre os brasileiros
Levantamento realizado pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg apontou que uma parcela significativa da população avalia negativamente a medida. A pesquisa indicou que a maioria dos entrevistados considera a taxa das blusinhas como um dos principais erros do atual governo.
Os dados reforçam a pressão política para uma eventual revisão da política tributária sobre compras internacionais de pequeno valor.
Governo dividido sobre o tema
A discussão sobre a manutenção ou revogação da taxa escancarou divergências dentro do próprio governo. O ministro José Guimarães defendeu publicamente o fim da cobrança, destacando o impacto negativo da medida na avaliação do governo.
Por outro lado, o vice-presidente Geraldo Alckmin apresentou posição contrária. Segundo ele, a taxação ainda é necessária, argumentando que, mesmo com a cobrança, os produtos importados continuam mais baratos do que os nacionais.
Alckmin também ressaltou que não há uma decisão oficial do governo sobre o tema até o momento, indicando que o debate segue em aberto dentro da administração federal.
Impacto fiscal da possível revogação
Além da questão política, a discussão envolve fatores econômicos relevantes. Dados da Receita Federal apontam que a arrecadação com a taxa das blusinhas superou as expectativas iniciais.
Entre agosto e dezembro de 2024, o imposto gerou mais de 1,1 bilhão de reais, valor acima das projeções. Em 2025, a arrecadação chegou a 5 bilhões de reais. Já no primeiro trimestre de 2026, o montante arrecadado atingiu 1,28 bilhão de reais, registrando crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior.
Necessidade de compensação orçamentária
Caso o governo decida revogar a taxa, será necessário adotar medidas para compensar a perda de arrecadação. A mudança exigiria a edição de uma medida provisória ou o envio de um novo projeto de lei ao Congresso Nacional.
A equipe econômica avalia alternativas para evitar impactos no equilíbrio fiscal, já que a retirada da cobrança pode afetar diretamente o resultado das contas públicas.

