O Brasil registrou avanço na dívida pública em fevereiro de 2026, alcançando 79,2% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados divulgados pelo Banco Central do Brasil. O aumento em relação aos 78,7% observados em janeiro evidencia os desafios fiscais enfrentados pelo país em meio a juros elevados e ao encarecimento do custo da dívida.
Dívida pública mantém trajetória de crescimento
A evolução da dívida segue pressionando as contas públicas. A dívida líquida do setor público atingiu 65,5% do PIB em fevereiro, enquanto o resultado primário consolidado apresentou déficit de 16,388 bilhões de reais — valor inferior à expectativa do mercado, que previa um rombo maior.
Os dados indicam que o governo central teve um déficit primário próximo de 30 bilhões de reais no período. Paralelamente, o estoque da dívida pública federal — indicador acompanhado pelo Tesouro Nacional — cresceu 2,31%, chegando a 8,841 trilhões de reais.
Esse avanço foi impulsionado por emissões líquidas de títulos que somaram 125,75 bilhões de reais, além da incorporação de 73,87 bilhões de reais em juros. A composição da dívida também sofreu alteração, com aumento na participação de títulos prefixados, que passaram de 20,65% para 21,33% do total.
Juros elevados impactam a dívida pública
A política monetária tem papel relevante na dinâmica da dívida pública. O Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic em 15% ao ano desde julho de 2025, patamar considerado elevado e que influencia diretamente o custo do endividamento.
Relatórios de mercado, como o da BBVA Research, indicam possibilidade de redução da taxa para 11,75% até o fim de 2026. No entanto, fatores externos, como tensões geopolíticas envolvendo o Irã, podem limitar a velocidade desse movimento.
Com grande parte da dívida atrelada à Selic, os juros altos aumentam significativamente o custo de manutenção das obrigações públicas, dificultando o equilíbrio fiscal.
Projeções e alertas sobre a dívida pública
Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida pública apresentou crescimento contínuo. O indicador fechou 2024 em 76,1% do PIB e 2025 em 78,7%.
Projeções oficiais apontam que esse percentual pode alcançar 84,2% até 2028. Já o Fundo Monetário Internacional utiliza metodologia mais ampla e estima níveis ainda mais elevados.
Análises do Goldman Sachs indicam que o Brasil precisaria gerar superávit primário superior a 2,5% do PIB para reverter a tendência de alta da dívida pública. Esse número está acima da meta estabelecida pelo governo, de 0,25% para o ano.
Crescimento econômico mais fraco amplia desafios
O cenário econômico também contribui para a pressão sobre a dívida pública. O país registrou crescimento de 2,3% em 2025, o menor desempenho desde a retração observada em 2020.
Para 2026, o Banco Central projeta desaceleração adicional, com expansão estimada em 1,6%. Apesar disso, a arrecadação federal atingiu recorde de 222,1 bilhões de reais em fevereiro, com crescimento real de 5,68% na comparação anual.
Mesmo com aumento na arrecadação, o elevado nível de juros continua sendo um fator limitante. Cerca de metade da dívida pública está indexada à Selic, o que mantém o custo de financiamento elevado e restringe a capacidade de ajuste fiscal.

