*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A defesa da advogada Jackeline Santana da Silva Nascimento, presa na última quinta-feira, dia 26 de março, durante a Operação Iter Mali, ingressou com um pedido de substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.
O argumento central dos advogados é a condição biológica da investigada, que se encontra na fase final de gestação e já possui um filho pequeno.
Em audiência de custódia realizada na 3ª Vara Criminal de Várzea Grande, o juiz Wladymir Perri confirmou a legalidade da prisão efetuada pela Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE). No entanto, o magistrado não decidiu de imediato sobre o benefício da domiciliar.
“Não me resta no momento, diante da legalidade da prisão, senão determinar a imediata abertura de vista ao Ministério Público para que se manifeste acerca do pedido formulado pela defesa técnica”, decidiu o juiz.
Caso o parecer do Ministério Público seja desfavorável e a prisão mantida, a defesa já sinalizou que deve recorrer ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para garantir o direito à custódia em casa.
O PAPEL DA ADVOGADA NA ORGANIZAÇÃO
Jackeline é apontada como uma das peças-chave na Operação Iter Mali. Companheira de um dos líderes da organização criminosa, ela é investigada por suposta participação em uma rede estruturada de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na região metropolitana de Cuiabá.
Segundo a Polícia Civil, a advogada já responde a outro inquérito policial na Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc) pelos mesmos crimes, o que reforça o pedido de manutenção da segregação cautelar por parte dos investigadores.
ENTENDA A OPERAÇÃO
Deflagrada ontem (26), a operação visou asfixiar o braço financeiro de um grupo que movimentava vultosas quantias do tráfico utilizando contas de “laranjas”. Foram cumpridas 28 ordens judiciais, incluindo 10 bloqueios de contas bancárias e a indisponibilidade de bens.
As investigações, iniciadas em 2024, revelaram uma logística profissional de distribuição de drogas. O grupo utilizava códigos para burlar a polícia: “parafuso”, “bala” e “farinha” eram termos frequentes nas comunicações interceptadas para se referir aos entorpecentes e às transações financeiras diárias.

