*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Novos detalhes sobre a Operação Engodo Digital, deflagrada na última terça-feira, dia 18 de agosto, no município de Sorriso (MT), revelam que a influenciadora digital Natiele Aparecida ocupava uma posição central em um sofisticado esquema de exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro. Enquanto as investigações da Polícia Civil avançam, a rotina de luxo, as polêmicas nas redes sociais e a engenharia financeira utilizada pela investigada vêm à tona.
De acordo com as apurações policiais, Natiele é suspeita de integrar o grupo criminoso voltado à exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas de cota fixa, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa. A rede como um todo movimentou mais de R$ 28 milhões através de plataformas de apostas não autorizadas.

O esquema operava de forma estruturada. Natiele utilizava duas contas em redes sociais para promover plataformas de apostas ilegais. Ela e outra investigada mantinham um grupo ativo no WhatsApp focado no envio de links e orientações de apostas.
Os recursos financeiros decorrentes da atividade ilícita ingressavam em contas de empresas de fachada e intermediadores de pagamento, tais como Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos.
Posteriormente, o dinheiro era redistribuído estrategicamente por uma rede composta por familiares e colaboradores diretos da influenciadora.
O LUXO OSTENTADO EM SORRISO E A POLÊMICA DE COBRANÇA
Com uma base de 113 mil seguidores nas redes sociais, Natiele exibia uma rotina de ostentação e viagens internacionais de alto padrão, incluindo passagens por Monte Fuji e Tokyo Disneyland (Japão), Cancún (México), além de destinos nacionais como Porto de Galinhas (Pernambuco) e Fernando de Noronha.

Pouco antes de ser alvo da operação policial, Natiele chamou atenção ao publicar um vídeo no perfil no Instagram, posteriormente desativado, onde cobrava publicamente uma dívida de R$ 5 mil. Na gravação, disparou.
“Eu tava aqui olhando, né? Todo mundo Bolsonaro, dos meus amigos. A única que tem estrelinha vermelha é uma petista que me deve R$ 5 mil reais. Não consegui nem marcar ela pra deixar aqui. Porque ela deve ter me bloqueado. Fiquei pensando, meu Deus do céu, é o cúmulo, né. Mas tinha que ser, né. Tinha que ser”.
Um dos episódios mais emblemáticos da investigação e da vida pública da influenciadora ocorreu quando ela realizou uma festa avaliada em mais de meio milhão de reais em um “castelo”, em Sorriso, para comemorar a participação dela na capa da Revista Sexy em 2024. O evento ostentou uma decoração suntuosa com pelo menos 12 mil rosas.

CONEXÕES NACIONAIS E MEDIDAS CAUTELARES
A Operação Engodo Digital, conduzida em Mato Grosso, cruza dados com uma megaoperação da Polícia Federal realizada em abril deste ano. O inquérito aponta que Natiele teria recebido cerca de R$ 100 mil de uma empresa ligada diretamente a nomes de peso do cenário musical nacional, como os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, alvos da ofensiva federal anterior, para promover o “Jogo do Tigrinho”.
Diante da gravidade dos indícios reunidos pela Polícia Civil, a Justiça de Mato Grosso impôs medidas cautelares rígidas contra Natiele Aparecida, que incluem a proibição absoluta de acesso a redes sociais, impedindo a continuidade da divulgação de jogos de azar, além da proibição de manter contato com os demais investigados, e entrega de passaporte e proibição de deixar o país.

