A possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros voltou ao centro das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos nesta segunda-feira (6), durante uma audiência pública realizada em Washington. O encontro reúne representantes do setor produtivo dos dois países e antecede a decisão do governo do presidente Donald Trump sobre a proposta de aplicar uma sobretaxa de 25% às exportações brasileiras, prevista para ser anunciada em 15 de julho.
Segundo representantes da iniciativa privada, a audiência é considerada um dos momentos mais importantes do processo, já que oferece aos setores econômicos a oportunidade de apresentar argumentos técnicos na tentativa de evitar ou reduzir a medida antes da definição oficial das autoridades norte-americanas.
Tarifas dominam audiência promovida pelos Estados Unidos
A audiência é organizada pela Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos e integra o processo de avaliação conduzido pelo governo norte-americano sobre a proposta de aumento das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Os trabalhos foram divididos em 14 painéis de discussão. Metade das apresentações acontece nesta segunda-feira, enquanto a continuidade dos debates está prevista para terça-feira (7), quando novos representantes terão espaço para expor suas posições.
Durante as sessões, empresários, entidades representativas e especialistas apresentam informações sobre os possíveis impactos econômicos da medida tanto para exportadores brasileiros quanto para empresas e consumidores norte-americanos.
Representantes do setor produtivo brasileiro apresentam argumentos
Diversas entidades brasileiras ligadas ao agronegócio e ao comércio exterior participam da audiência. Entre os inscritos estão representantes da Associação Brasileira da Indústria do Arroz, da Sociedade Rural Brasileira, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil.
Cada expositor dispõe de cinco minutos para defender os interesses do segmento que representa. Após as apresentações, integrantes do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) podem realizar questionamentos para aprofundar os temas abordados.
A expectativa das entidades é demonstrar os impactos econômicos que a aplicação da sobretaxa poderá causar nas relações comerciais entre os dois países, especialmente em setores relevantes das exportações brasileiras.
Investigação do USTR fundamenta proposta
A proposta de ampliação das tarifas é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.
O relatório elaborado pelo órgão reúne diferentes temas considerados pelo governo norte-americano durante a análise das relações comerciais com o Brasil. Entre os assuntos mencionados estão o sistema de pagamentos Pix, acordos comerciais, a política para o etanol, questões ambientais relacionadas ao desmatamento, além de pontos ligados ao combate à corrupção e à pirataria.
Esses elementos servem como base para a avaliação que poderá resultar na adoção da tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados ao mercado americano.
Governo brasileiro acompanha discussões sem participação direta
O governo federal não enviou representantes oficiais para fazer pronunciamentos durante a audiência pública em Washington.
De acordo com as informações divulgadas, integrantes da embaixada brasileira nos Estados Unidos acompanham as sessões na condição de observadores. Paralelamente, o Palácio do Planalto mantém interlocução com o USTR por meio de reuniões institucionais realizadas fora da audiência.
A estratégia do governo brasileiro tem sido acompanhar o andamento das discussões e manter o diálogo diplomático enquanto aguarda a conclusão da análise conduzida pelas autoridades norte-americanas.
Flávio Bolsonaro participa do segundo dia de debates
A programação da terça-feira (7) prevê a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que abrirá o segundo dia de apresentações. Segundo o parlamentar, sua manifestação terá como objetivo defender a suspensão da proposta de aplicação da tarifa adicional e reforçar a necessidade de uma solução negociada para os pontos levantados na investigação conduzida pelo USTR.
O senador também declarou que, em sua avaliação, a adoção da medida poderia produzir efeitos políticos internos no Brasil. A manifestação integra a série de apresentações previstas na audiência pública, que reúne representantes de diferentes setores econômicos e políticos envolvidos no tema.

