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OpiniãoMT > Blog > Economia > Com dívidas de R$ 340 milhões, Chilli Beans pede recuperação extrajudicial
Economia

Com dívidas de R$ 340 milhões, Chilli Beans pede recuperação extrajudicial

Chilli Beans solicita recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidas e anuncia aporte de R$ 50 milhões.

Redação OPMT
Publicado em: 2 de novembro de 2026
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7 Minutos de Leitura
Com dívidas de R$ 340 milhões, Chilli Beans pede recuperação extrajudicial
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A Chilli Beans, uma das maiores redes de óculos escuros da América Latina, iniciou um processo de recuperação extrajudicial para reorganizar sua situação financeira e renegociar aproximadamente R$ 340 milhões em dívidas. A empresa, fundada por Caito Maia em 1997, protocolou o pedido na sexta-feira (30 de outubro), após meses de dificuldades envolvendo pagamentos a credores e compromissos financeiros. O plano apresentado prevê a entrada de R$ 50 milhões em novos recursos para reforçar o caixa e dar suporte à reestruturação da companhia.

Chilli Beans apresenta plano de recuperação extrajudicial

O acordo foi estruturado em conjunto com os principais credores da companhia e busca estabelecer condições para reorganizar os compromissos financeiros da rede varejista. Entre as medidas previstas está um aporte de R$ 50 milhões, destinado a ampliar a disponibilidade de recursos e contribuir para a continuidade das operações.

Itaú, Akron e Vega participam da negociação como financiadores âncoras. Essas instituições estão envolvidas na coordenação da operação que permitirá a entrada do novo capital na empresa.

A iniciativa representa mais uma etapa de um processo de reorganização que já vinha sendo preparado internamente. No final de agosto, Caito Maia anunciou a chegada de André Dela Togna à administração da companhia. Inicialmente apresentado como co-CEO, o executivo assumiu a função de vice-presidente, com a responsabilidade de participar da condução das mudanças financeiras e administrativas.

Dívida de R$ 89 milhões agravou a crise da Chilli Beans

Um dos episódios que contribuíram para o agravamento da situação financeira ocorreu no final de setembro, quando a Vert Securitizadora declarou o vencimento antecipado de uma debênture de R$ 89 milhões vinculada à Mustang 25 Participações, empresa controladora da Chilli Beans.

A medida foi tomada após o descumprimento de obrigações financeiras previstas na emissão. Os investidores chegaram a conceder um prazo adicional para que os valores fossem regularizados, mas a data estabelecida para a quitação, 26 de outubro, também terminou sem a solução esperada.

A companhia já enfrentava dificuldades para cumprir os pagamentos relacionados a esse instrumento financeiro. Emitida em fevereiro de 2025, a debênture tinha como objetivo captar recursos para aliviar os problemas financeiros que vinham afetando o grupo.

Parcelas atrasadas somavam R$ 16,5 milhões

Entre os compromissos não cumpridos estavam as parcelas referentes aos meses de julho e agosto, que totalizavam R$ 16,5 milhões. Diante dos atrasos, os debenturistas realizaram uma assembleia em 10 de agosto e concordaram em estender o prazo de pagamento até 25 de setembro.

Mesmo com a prorrogação, os valores não foram pagos. A Vert então notificou a empresa para que regularizasse a pendência dentro do prazo de tolerância de dois dias úteis previsto no contrato.

Como não houve a quitação dentro desse período, a securitizadora formalizou a decisão de antecipar o vencimento da dívida. A operação tinha prazo original até janeiro de 2029 e contava com Caito Maia como avalista.

Credores já haviam concedido prazos adicionais

Antes da decisão pelo vencimento antecipado, os investidores realizaram seis assembleias para discutir os descumprimentos das obrigações estabelecidas na emissão da debênture.

Entre os pontos de preocupação estava a ausência das demonstrações financeiras auditadas referentes a 2025, documento exigido pelas condições contratuais. Apesar da pendência, os credores inicialmente optaram por não antecipar o vencimento da operação.

Em junho, também foram suspensos os efeitos relacionados à quitação automática da dívida, numa tentativa de permitir que a companhia tivesse mais condições de cumprir suas obrigações.

Outra medida de flexibilização ocorreu em julho, quando a Vert autorizou a liberação de 60% dos recebíveis de cartões que estavam vinculados à operação. O montante liberado correspondia a aproximadamente R$ 2,3 milhões.

Além disso, o percentual mínimo de recebíveis que deveria permanecer comprometido como garantia foi reduzido de 5% para 2,5% do saldo devedor.

Apesar dessas concessões, a situação não foi normalizada, e a empresa acabou enfrentando a declaração de vencimento antecipado da dívida.

Chilli Beans adotou medidas de confidencialidade após crise financeira

A crise também provocou mudanças na comunicação interna da Chilli Beans. Após a divulgação das dificuldades financeiras, a direção da companhia passou a reforçar as orientações para que informações sobre a situação econômica do grupo não fossem compartilhadas externamente.

Na ocasião em que anunciou a chegada de André Dela Togna à administração, Caito Maia também fez cobranças aos colaboradores sobre a preservação de informações internas.

Posteriormente, funcionários receberam a determinação de assinar documentos de confidencialidade. Segundo informações divulgadas pelo NeoFeed, a medida estabelecia penalidades em caso de descumprimento, incluindo uma possível multa de R$ 300 mil e risco de desligamento.

A exigência provocou reação entre trabalhadores que foram orientados a assinar os documentos, especialmente diante das condições estabelecidas pela empresa.

Rede mantém presença internacional com 900 franquias

Mesmo diante dos problemas financeiros, a Chilli Beans mantém uma estrutura relevante no mercado de varejo. A companhia possui aproximadamente 900 franquias distribuídas por 14 países, consolidando uma presença internacional construída desde sua fundação.

Criada em 1997 por Caito Maia, a marca expandiu suas atividades principalmente por meio do sistema de franquias, com atuação no segmento de óculos escuros, armações e acessórios.

O tamanho da operação representa um dos principais aspectos considerados no processo de reorganização financeira, uma vez que a companhia precisa conciliar a renegociação de suas dívidas com a manutenção das atividades comerciais e do relacionamento com franqueados.

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