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Leia: Clinica irregular em Cuiabá usava “quarto de punição” onde paciente com esquizofrenia foi morto
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4 de junho de 2026 12:52

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OpiniãoMT > Blog > Polícia > Clinica irregular em Cuiabá usava “quarto de punição” onde paciente com esquizofrenia foi morto
Polícia

Clinica irregular em Cuiabá usava “quarto de punição” onde paciente com esquizofrenia foi morto

última atualização: 4 de junho de 2026 11:35
Jornalista Mauad
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5 Minutos de Leitura
Foto: 24 horas news
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

Uma investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) revelou bastidores de dentro de uma clínica terapêutica em Cuiabá. O paciente Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, que sofria de esquizofrenia, foi morto no último domingo, dia 31 de maio, após ser jogado ao chão com as mãos amarradas e sofrer um golpe “mata-leão”.

O delegado Michael Paes confirmou que a instituição utilizava um “quarto de punição” para castigar internos que cometessem erros. O cômodo ficava trancado pelo lado de fora durante toda a noite e a chave permanecia com o plantonista.

“Nós identificamos que lá estava dormindo um rapaz que não tem esquizofrenia. Estava lá, segundo ele, porque tinha furtado uma bolacha. Depois, o gerente falou que não, que ele ficou punido lá porque tomou álcool e está em tratamento por causa disso. Mas, independente disso, você já verifica muitas irregularidades do ponto de vista administrativo deste estabelecimento”, destacou o delegado Michael Paes.

O gerente do local admitiu às autoridades que as pessoas que passavam pelo quarto eram, em sua maioria, esquizofrênicas.

CONTENÇÃO VIOLENTA NA ALA PSIQUIÁTRICA

A apuração da DHPP apontou que, na noite do crime, Alessandro entrou em um surto psicótico. O suspeito do crime, o plantonista Odiley Rodrigues de Souza, de 42 anos, era o único funcionário responsável pela segurança de uma ala que abrigava, ao todo, 42 internos.

Para conter o paciente, Odiley aplicou um golpe conhecido como “mata-leão”. A polícia agora investiga se o funcionário utilizou apenas os braços ou se fez o uso de uma corda para realizar a imobilização. Após a ação violenta, Alessandro teve os braços amarrados para trás e foi deixado trancado no quarto de punição junto com outros internos. O funcionário não retornou ao cômodo para verificar o estado de saúde da vítima, que foi encontrada morta na manhã seguinte.

FARSA DO SUICÍIO E COAÇÃO DE TESTEMUNHAS

Inicialmente, a administração da clínica acionou o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) comunicando o caso como se fosse um suicídio por enforcamento. Ao chegarem ao local, investigadores e peritos criminais encontraram o corpo de Alessandro com marcas de corda no pescoço. Odiley chegou a sustentar a versão de que o paciente havia tirado a própria vida utilizando a janela do quarto.

Contudo, a equipe pericial identificou imediatamente diversas inconsistências entre os vestígios físicos e o relato do funcionário. Diante das evidências técnicas, Odiley confessou que alterou a cena do crime para despistar as autoridades. Ele admitiu também que coagiu um dos internos da clínica para confirmar a versão falsa de suicídio. Ouvido pela polícia, o paciente confirmou a tentativa de fraude processual e revelou que aceitou mentir por medo de sofrer represálias dentro da instituição.

PLANTONISTA TEM PRISÃO CONVERTIDA EM PREVENTIVA

Em audiência de custódia, o juiz Moacir Rogério Tortato, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, converteu em preventiva a prisão em flagrante de Odiley Rodrigues de Souza. Ele responderá pelos crimes de homicídio e fraude processual.

Ao fundamentar a decisão, o magistrado destacou que a liberdade do acusado ofereceria um risco real à instrução criminal devido aos indícios contundentes de modificação do local do crime e ao fato de que as testemunhas manifestaram explícito temor em relação ao autuado.

O inquérito policial segue em andamento na DHPP. O delegado Michael Paes aguarda a conclusão dos laudos oficiais de necropsia, de análise do local de crime e de traumatologia forense para concluir o caso e remetê-lo ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT).

ESTABELECIMENTO FUNCIONAVA SUPOSTAMENTE DE FORMA CLANDESTINA

Além das agressões e métodos punitivos, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) revelou que a clínica terapêutica funcionava de maneira totalmente irregular. O estabelecimento, que atendia pacientes em tratamento de dependência química e pessoas com esquizofrenia, não possui registro de funcionamento junto ao órgão e não consta em seu banco de dados.

O CRM-MT informou que vai oficiar a Polícia Civil de Mato Grosso para obter dados complementares do espaço, como o CNPJ, para aprofundar a análise e avaliar as providências legais a serem adotadas contra a instituição. A autarquia ressaltou que seu sistema é público e orientou que familiares consultem o site oficial do conselho antes de internar parentes.

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