A deflagração da Operação Tomada de Contas pela Polícia Federal na manhã da última quinta-feira, dia 29 de outubro, escancarou o papel central desempenhado pela chefe de gabinete da Presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Roseli Loss, no esquema de propinas, desvios e lavagem de dinheiro na Corte de Contas. Apontada como a principal operadora financeira do presidente afastado, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, ela é acusada de ter sacado pelo menos R$ 3,5 milhões em espécie nas dependências do tribunal em nome do conselheiro.
Ambos tiveram mandados de prisão preventiva expedidos pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e foram recolhidos pela Polícia Federal junto a outros quatro investigados do núcleo operacional.
DE SAQUES NA “BOCA DO CAIXA” A HOTEL DE LUXO EM SÃO PAULO
De acordo com o Laudo nº 10306/2026 da Polícia Federal, Roseli Loss mantinha relação de extrema confiança com Sérgio Ricardo, possuindo acesso irrestrito ao celular do conselheiro e operando as contas bancárias mesmo sem vínculo formal com a instituição financeira.
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A PF revelou que, antes mesmo de se tornar procuradora oficial das contas de Sérgio Ricardo em outubro de 2025, a servidora já realizava saques expressivos em espécie diretamente na agência do Sicoob instalada dentro do próprio prédio do TCE-MT. Entre os registros destacados pelos peritos estão saques de R$ 200 mil em fevereiro de 2024 e de R$ 340 mil em abril do mesmo ano.
Parte dos R$ 3,5 milhões sacados em dinheiro vivo era repassada a Adriangelo Barros Antunes, secretário executivo de comissão permanente e ex-cunhado de Sérgio Ricardo, que também foi preso. A perícia apontou ainda que Roseli é ex-funcionária da irmã do conselheiro, a apresentadora de TV Giseli Almeida.
Apenas três dias antes de ser presa, Roseli publicou um vídeo nas redes sociais celebrando uma estadia de luxo no Rosewood Hotel, localizado no complexo Cidade Matarazzo, na região da Avenida Paulista, em São Paulo, considerado o melhor hotel da América do Sul. Nas imagens, ela aparece comemorando com taças de champanhe ao lado de Giseli Almeida, que não figura como investigada na operação.
STJ: PRISÃO NECESSÁRIA PARA GARANTIR A ORDEM PÚBLICA
Apesar de o Ministério Público Federal (MPF) ter sugerido inicialmente a aplicação de medidas cautelares alternativas, o ministro relator Og Fernandes acolheu a representação da Polícia Federal para decretar a prisão preventiva de Roseli Loss. Na fundamentação, o magistrado ressaltou o papel determinante exercido pela servidora no fluxo ilícito de recursos:
“Conforme narrado pela Polícia Federal, a investigada seria a principal operadora dos saques realizados nas contas vinculadas ao núcleo central da organização, figurando repetidamente nas imagens captadas no posto bancário instalado no próprio TCE/MT. (…) Verifica-se que a investigada integra por um longo período o círculo de confiança do principal investigado e, segundo os elementos reunidos, exerceu funções operacionais permanentes na retirada e circulação do numerário”.
Para o ministro, a manutenção da liberdade de Roseli representaria risco concreto à ordem pública e à instrução criminal, dada a capacidade de interferir nas investigações e na coleta de provas.
A decisão do STJ resultou na prisão preventiva de seis investigados do núcleo operacional:
-Sérgio Ricardo de Almeida (Presidente do TCE-MT);
-Roseli Loss (Chefe de gabinete da Presidência);
-Adriangelo Barros Antunes (Secretário executivo);
-Grhegory Paiva Pires Moreira Maia (Consultor jurídico-geral);
-Gustavo Fernandes da Silva;
-Felipe José Glinke.
Outros 15 investigados, entre eles os conselheiros Guilherme Antônio Maluf, José Carlos Novelli, Alisson Carvalho de Alencar e o conselheiro aposentado Valter Albano da Silva, sofreram cautelares severas, incluindo afastamento imediato das funções públicas, bloqueio de acessos físicos e digitais ao prédio do tribunal, entrega de passaportes em até 24 horas e proibição de manterem contato entre si.
Nas buscas realizadas nos endereços dos suspeitos, a PF apreendeu malas de dinheiro em espécie (em reais e euros), coleções de relógios de luxo, bebidas de altíssimo valor e uma frota de carros importados de alto padrão.

