*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A discussão sobre um projeto de lei do deputado Gilberto Cattani (PL), que propõe a autorização do porte de arma para mulheres que possuem medidas protetivas o centro do debate que escalonou a ética, a moral e a segurança pública. O debate adentrou para o campo pessoal quando o deputado Valdir Barranco (PT) utilizou o feminicídio de Raquel Cattani, filha do parlamentar do PL, para fundamentar a oposição dele à proposta.
A FALA DE VALDIR BARRANCO (PT)
Durante a crítica ao projeto, o deputado Valdir Barranco não apenas ironizou o comportamento de parlamentares bolsonaristas, como usou o caso da família Cattani como exemplo negativo da eficácia do armamento.
“Se quiser se esconder de bolsonarista, entre em uma biblioteca, lá eles não andam”, disparou o petista.
Ao abordar a segurança feminina, Barranco argumentou que armar vítimas de violência doméstica poderia aumentar o risco.
“O marido, o companheiro, o bandido que não tem o preparo, ele vai tomar a arma e vai matar ela com aquela arma”, afirmou.
O ponto de maior tensão foi a menção direta à tragédia familiar de Cattani.
“Se isso funcionasse, a filha do Cattani não teria sido vítima de feminicídio porque sempre eles andaram armados. Sempre tem uma foto de família, com todos os membros da família dele. Armados todos. E foi vítima a gente sabe”.
O DESABAFO E A INDIGNAÇÃO DE GILBERTO CATTANI (PL)
Abalado e revoltado, Gilberto Cattani publicou vídeo nas redes sociais para rebater o que chamou de “vilipêndio e desonra da memória” da filha. O deputado destacou que a fala de Barranco ocorreu às vésperas do aniversário de 28 anos de Raquel, no dia 5 de maio.
“O senhor é um canalha”, declarou Cattani diretamente a Barranco. O parlamentar desmentiu a afirmação de que Raquel estava armada e atribuiu a falta de defesa da filha às políticas do atual Governo Federal.
“Raquel nunca teve uma arma e sabe por quê? Porque um outro canalha que é o teu presidente impediu que as pessoas de bem pudessem ter o seu armamento. Assim que ele assumiu, ele tirou o direito de autodefesa das pessoas”, rebateu o deputado do PL.
Cattani ainda criticou o silêncio de entidades de classe e comissões de direitos humanos diante do comentário de Barranco.
“Ninguém vai se manifestar. Não vai haver nota da OAB, não vai ter Defensoria se manifestando. Simplesmente manipulam como querem e ofendem o máximo que podem”, desabafou.
REAÇÃO DA FAMÍLIA
O deputado também registrou o momento em que mostrou o vídeo da fala de Barranco para a esposa, Sandra Cattani. A mãe de Raquel reagiu com choque e dor às declarações do parlamentar petista.
“Meu Deus, mas que canalha. Como é que este homem faz uma coisa dessa? Raquel nunca teve uma arma. Então quer dizer que ela mereceu morrer?”.
SOLIDARIEDADE
A fala de Barranco gerou uma onda de indignação que ultrapassou as paredes da Assembleia Legislativa. O pré-candidato a deputado federal pelo partido NOVO, Haroldo Arruda, publicou um vídeo nas redes sociais solidarizando-se com Gilberto Cattani.
“Uma pessoa desmedida, sem o menor pudor, com caráter zero”, afirmou Arruda em referência a Barranco, completando que a atitude demonstra uma profunda “desumanidade”.
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