*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, realizado na última terça-feira, dia 1º de setembro, pela TV Vila Real, foi marcado por um clima de hostilidade, focado em ataques pessoais, cobranças sobre o passado político, investigações e trocas de acusações de corrupção.
O confronto direto colocou frente a frente nomes centrais da disputa pelo Palácio Paiaguás, com embates intensos que evidenciaram a estratégia de desgaste mútuo para a reta final da campanha.
MILAS CRUZA ARTILHARIA COM NATASHA E WELLINGTON
O cenário de confrontos diretos começou cedo. O candidato Rafaell Milas (Missão) tensionou o debate ao questionar a candidata Natasha Slhessarenko (PSD) sobre as alianças políticas locais dela, mirando figuras como o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PSD) e o ex-deputado estadual Gilmar Fabris (PSD).
“Seu palanque é pesado com Gilmar Fabris e Emanuel Pinheiro. A senhora confia em Gilmar Fabris e Emanuel Pinheiro?”, questionou Milas.
Natasha rebateu com veemência, atacando a legenda adversária e associando o grupo de Milas a figuras da política nacional como Renan Santos e o ex-deputado paulista Arthur do Val, “Mamãe Falei”.
“Poderia dizer, pelo passado deles, que você é abusador ou que incentiva o estupro, mas jamais faria uma pergunta dessas, porque você tem seu CPF”, disparou a candidata.
Milas também protagonizou um forte embate com o senador Wellington Fagundes (PL), cobrando explicações sobre operações policiais passadas que já citaram o nome do parlamentar, a exemplo da Operação Sanguessuga e o caso da Máfia das Ambulâncias. Wellington defendeu-se afirmando que jamais foi condenado e classificou Milas como “candidato de aluguel”.
Durante a troca de farpas, Milas ironizou o senador chamando-o de “melancia”, termo utilizado por alas da direita para questionar a lealdade de Wellington ao bolsonarismo e as antigas alianças com a esquerda. Em resposta, Wellington tentou desqualificar as críticas resgatando laços pessoais.
“Ele me chamou de querido, sabe por quê? Porque dei oportunidade ao irmão e à esposa dele durante muitos anos”, rebateu.
PIVETTA E WELLINGTON: O EIXO CENTRAL DOS DEBATES
Os confrontos mais duros ocorreram entre o governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos) e o senador Wellington Fagundes. Wellington abriu as hostilidades questionando declarações atribuídas a Pivetta sobre os servidores públicos, citando polêmicas relacionadas ao Samu e a suposta falta de “talento” no funcionalismo estadual. O senador levou o debate para o campo da política salarial e criticou a gestão de recursos públicos, apontando dificuldades financeiras para a aplicação da Revisão Geral Anual (RGA).
Pivetta respondeu tirando o foco da pauta administrativa e atacando a longevidade da trajetória política de Wellington em Brasília.
“O Bolsonaro fez um favor expulsando o senhor do DNIT. Agora o senhor vem falar para mim de moralidade?”, alfinetou o governador, resgatando conexões históricas do senador com gestões federais e passagens pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
Wellington contra-atacou exigindo que Pivetta quebrasse o sigilo bancário para esclarecer acusações de pré-campanha. Pivetta manteve o tom, declarando possuir a “consciência tranquila” e acusando o adversário de “sugar” a máquina pública há mais de três décadas.
“Nunca fiz noitadas em Brasília para fazer lobby, para indicar gente no DNIT, para intermediar negócios”, disparou o governador.
A disputa jurídica e histórica ganhou novo capítulo quando Wellington resgatou o caso CooperLucas, escândalo de desvios de grãos e fraudes em estoques da Conab e financiamentos do Banco do Brasil ocorridos no início dos anos 2000 na Cooperativa Agropecuária de Lucas do Rio Verde. Embora o TRF-1 tenha absolvido os réus do processo, incluindo o próprio Pivetta, Wellington tentou expor o desgaste emocional do adversário à época, afirmando que o atual governador teria chorado e pedido para abafar manchetes sobre o caso.
PATRIMÔNIO, TOM EMOTIVO E CRÍTICAS GERAIS
Natasha Slhessarenko também direcionou questionamentos a Wellington Fagundes acerca da inclusão do nome dele e da evolução patrimonial em um capítulo de dez páginas do livro “Os bens que os políticos fazem”. O senador esquivou-se das indagações.
“Porque quem trabalha muito, assim como a sua mãe trabalhou, às vezes, somos criticados. O que me traz tranquilidade é que não respondo a nenhum processo durante 34 anos de mandato e nunca fui condenado. Diferente do governo que está aí”.
O tom do debate mudou para a emoção quando o candidato Sargento Laudicério (Agir) foi questionado por Wellington sobre corrupção e saúde pública. O militar rompeu em prantos ao relatar a história da mãe, que, segundo ele, perdeu a visão de ambos os olhos devido à negligência no atendimento médico pelo Estado. Em um desabafo duro contra os oponentes que dominam a máquina pública há décadas, Laudicério disparou.
“Covardes os senhores. Os senhores são todos covardes”, sintetizando o sentimento de revolta com a gestão dos serviços essenciais.

