A inadimplência no Brasil alcançou um novo patamar em setembro de 2026, quando 84,2 milhões de brasileiros estavam com contas em atraso e restrições no CPF. Os dados fazem parte do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, divulgado nesta segunda-feira (2) pela Serasa. O levantamento também aponta crescimento no volume financeiro das pendências, que chegou a R$ 597,4 bilhões em todo o país.
Inadimplência cresce e estabelece novo recorde no Brasil
O total de brasileiros com dívidas negativadas aumentou em comparação com o mês anterior. Em agosto, o levantamento contabilizava 83,9 milhões de pessoas nessa situação. Já em setembro, o número subiu para 84,2 milhões, demonstrando a continuidade do avanço da inadimplência entre os consumidores.
Na comparação com 2020, a quantidade de pessoas com pagamentos pendentes apresentou crescimento de 34,17%. Considerando o intervalo de setembro de 2025 a setembro de 2026, a elevação foi de 6%.
Além do aumento no número de consumidores negativados, o montante financeiro das dívidas também registrou expansão. O valor acumulado chegou a R$ 597,4 bilhões, representando uma alta de 0,90% em relação ao resultado registrado em agosto.
Dívida média ultrapassa R$ 7 mil por consumidor
Outro dado que chama a atenção no levantamento da Serasa é o valor médio das pendências financeiras. Cada brasileiro inadimplente possui, em média, R$ 7.093,83 em dívidas.
Esse montante corresponde a aproximadamente 4,4 salários mínimos, considerando o piso nacional de R$ 1.621 estabelecido para 2026.
Os números mostram a dimensão do endividamento entre os consumidores brasileiros e o volume de recursos envolvidos nas obrigações financeiras que permanecem sem pagamento.
Bancos e financeiras concentram a maior parte das dívidas
A distribuição das pendências por segmento econômico revela que os bancos e os cartões de crédito continuam liderando o ranking dos principais responsáveis pelas dívidas dos brasileiros.
De acordo com o levantamento, essas modalidades representam 27,16% do total de débitos registrados. Na sequência aparecem as financeiras, que passaram a ocupar a segunda colocação, concentrando 20,66% das pendências.
Segundo a Serasa, esta é a primeira vez que as financeiras alcançam essa posição no levantamento, indicando uma mudança na composição das dívidas dos consumidores.
As despesas essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica e gás, aparecem agora na terceira colocação. Juntas, essas contas representam 20,32% do total de débitos contabilizados.
Contas básicas também pesam no orçamento das famílias
Historicamente, as despesas relacionadas aos serviços essenciais ocupavam a segunda posição entre as principais categorias de inadimplência no país.
Entretanto, os dados de setembro mostram que esse cenário mudou. O crescimento da participação das financeiras fez com que as contas de consumo perdessem uma posição no ranking.
Mesmo assim, os compromissos relacionados à manutenção dos serviços básicos continuam representando uma parcela expressiva das dívidas acumuladas pelos brasileiros.
Mulheres representam a maioria dos inadimplentes
O levantamento também apresenta um recorte por gênero da população com restrições financeiras. As mulheres correspondem a 50,5% dos consumidores inadimplentes, enquanto os homens representam 49,5%.
A diferença entre os dois grupos é relativamente pequena, mas coloca o público feminino ligeiramente à frente na composição total dos brasileiros com dívidas em atraso.
Faixa etária entre 41 e 60 anos lidera ranking
Na análise por idade, a maior concentração de consumidores negativados está entre os brasileiros de 41 a 60 anos. Essa parcela representa 35,7% do total de pessoas inadimplentes identificadas pela Serasa. O segundo grupo mais numeroso é formado por adultos entre 26 e 40 anos, que correspondem a 33,2% dos registros.
Entre os consumidores com mais de 60 anos, a participação chega a 20,1%. Já os jovens de 18 a 25 anos representam 11% do total de brasileiros com dívidas em atraso.
Os números demonstram que a inadimplência está presente em diferentes gerações, embora tenha maior concentração entre pessoas que estão nas faixas etárias de 26 a 60 anos.

