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Leia: Tribunal do Júri condena réus pela morte do advogado Roberto Zampieri após mais de 38 horas de plenário em Cuiabá (MT)
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2 de outubro de 2026 12:40

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OpiniãoMT > Blog > Justiça > Tribunal do Júri condena réus pela morte do advogado Roberto Zampieri após mais de 38 horas de plenário em Cuiabá (MT)
Justiça

Tribunal do Júri condena réus pela morte do advogado Roberto Zampieri após mais de 38 horas de plenário em Cuiabá (MT)

Jornalista Mauad
Publicado em: 2 de outubro de 2026
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5 Minutos de Leitura
Foto: Olhar Direto
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

Após três dias de intenso julgamento e mais de 38 horas de debates e sessões no Fórum de Cuiabá, o Tribunal do Júri condenou, na noite da última quinta-feira, dia 1º de outubro, os três réus envolvidos no assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023. O julgamento foi presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá.

Foto: Montagem/MidiaNews

Os réus foram condenados por homicídio qualificado, cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido. As penas aplicadas variam conforme o grau de participação e a incidência de atenuantes legais, cabendo recursos à decisão em primeira instância.

Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado como intermediário do crime e fornecedor da arma, foi condenado a 25 anos de reclusão. Para ele, o conselho de sentença e a presidência não reconheceram nenhuma atenuante.

Já Antônio Gomes da Silva, executor confesso dos disparos, foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão. A pena foi atenuada devido à confissão espontânea do crime perante os jurados.

Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, coronel reformado do Exército, apontado como financiador, foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão. A pena dele também foi atenuada em razão da idade, por ter mais de 70 anos.

Enquanto isso, o casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, apontados como mandantes do crime, respondem a processos em separado.

BASTIDORES E VERSÕES CONFLITANTES NO PLENÁRIO

Iniciado na última terça-feira, dia 29 de setembro, o julgamento foi marcado por depoimentos tensos e teses opostas. O processo anterior havia sido anulado em julho após um jurado passar mal, exigindo a remarcação da pauta.

O executor confesso, Antônio Gomes da Silva, adotou uma postura agressiva e sem demonstrar arrependimento. Ele assumiu ter atirado em Zampieri no dia 5 de dezembro de 2023, quando a vítima deixava seu escritório no bairro Bosque da Saúde, e alegou ter agido por conta própria, revoltado com supostas irregularidades no Judiciário.

“Matei mesmo e, se fosse preciso matar, mataria de novo porque ele realmente é uma desgraça”, declarou aos jurados.

Por sua vez, Hedilerson Fialho negou qualquer envolvimento na execução e afirmou ter sido traído por Antônio. Segundo ele, os dois se conheceram em um clube de tiro em Minas Gerais e Antônio teria pedido hospedagem em Cuiabá sob o pretexto de participar de uma competição de tiro, utilizando indevidamente a arma que pertencia a Hedilerson.

O coronel reformado Etevaldo Caçadini também negou as acusações, classificando-se como “bode expiatório” e afirmando ser vítima de uma grande injustiça. Ele tentou justificar repasses financeiros e a posse de fotos do escritório e da vítima em seu celular como coincidências ou decorrentes de outras transações pessoais, reclamando ainda de barreiras em sua tentativa de firmar delação premiada.

A TESE DA ACUSAÇÃO

Para o Ministério Público de Mato Grosso, representado pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva, as negativas das defesas foram desconstruídas pelo robusto conjunto probatório.

A acusação sustentou que o assassinato de Roberto Zampieri, aos 56 anos, foi uma execução minuciosamente planejada em razão de disputas fundiárias milionárias no estado, com destaque para a posse da Fazenda Lagoa Azul, situada em Ribeirão Cascalheira e avaliada em cerca de R$ 100 milhões, cujos interesses defendidos pela vítima contrariavam os mandantes.

Mensagens extraídas de celulares apreendidos, como os registros “Coronel, missão cumprida” e “Iniciando plano de retirada”, comprovaram para o Conselho de Sentença a divisão coordenada de tarefas entre o executor, o intermediário logístico e o financiador do homicídio.

 

 

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