A epidemia de ebola que atinge a República Democrática do Congo (RDC) já provocou 2.011 mortes entre 4.381 casos confirmados, conforme o balanço divulgado pelas autoridades de saúde nesta quarta-feira (12). O surto ocorre principalmente em áreas do leste e nordeste do país, regiões marcadas por conflitos, dificuldades de acesso e limitações na estrutura de atendimento médico.
Ebola se aproxima de uma das epidemias mais graves da RDC
Os números registrados no atual surto colocam a epidemia entre as mais graves já enfrentadas pela República Democrática do Congo. A quantidade de mortes se aproxima da registrada durante o período entre 2018 e 2020, quando o país enfrentou o episódio mais letal de ebola de sua história.
Naquela ocasião, aproximadamente 2.300 pessoas morreram entre cerca de 3.500 casos registrados. A atual epidemia, portanto, já alcançou um patamar próximo ao daquele período, embora os números de casos confirmados sejam diferentes.
O surto atual teve início na província de Ituri, localizada no nordeste da RDC. Posteriormente, a doença avançou para outras áreas do leste e do nordeste, onde a atuação das autoridades públicas enfrenta obstáculos provocados pela instabilidade e pelos conflitos locais.
Taxa de mortalidade chega a 45,9%
De acordo com os dados apresentados pelas autoridades sanitárias congolesas, a taxa de mortalidade da atual epidemia está em 45,9%. O índice é calculado com base na relação entre o número de mortes e os casos confirmados registrados até o momento.
A situação também é agravada pelas dificuldades encontradas nas unidades de saúde das regiões afetadas. Em algumas localidades, os serviços médicos operam com recursos limitados, enquanto a violência e os conflitos dificultam o deslocamento de equipes e o atendimento à população.
Organização Mundial da Saúde avalia uso de vacina contra o ebola
Diante do avanço da doença, especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendaram a realização de um teste clínico para avaliar a utilização da vacina Ervebo contra a variante do vírus que circula atualmente na RDC.
A recomendação foi apresentada na sexta-feira e considera a disponibilidade de informações acumuladas sobre a segurança do imunizante. Segundo os especialistas, esses dados podem permitir o avanço para um estudo de fase 3, etapa destinada a avaliar a eficácia e a segurança de uma vacina em um grupo maior de participantes.
A questão está relacionada à variante Bundibugyo, responsável pelo surto atual. Não há, segundo as informações divulgadas, uma vacina específica homologada para essa variante, o que levou os especialistas a considerarem a possibilidade de testar um imunizante já aprovado contra o ebola.
Reserva mundial poderá fornecer doses
Para apoiar os estudos, doses da vacina Ervebo deverão ser disponibilizadas a partir da reserva mundial de vacinas contra o ebola. O estoque é mantido com apoio da Gavi, aliança internacional criada para ampliar o acesso à imunização em países em desenvolvimento.
A reserva possui aproximadamente 500 mil doses produzidas pela farmacêutica americana Merck. Parte desse estoque permanece armazenada na própria República Democrática do Congo devido à recorrência de surtos da doença no país.
A disponibilidade das doses poderá facilitar a realização dos estudos clínicos e contribuir para a avaliação da resposta da vacina diante da variante atualmente responsável pelos casos registrados na região.
Gavi mantém estoque para situações de emergência
Criada em 2000, a Gavi reúne governos, organizações internacionais, instituições privadas e outros financiadores com o objetivo de ampliar o acesso a vacinas em países de menor renda. No caso do ebola, a manutenção de uma reserva internacional permite uma resposta mais rápida diante de novos surtos. A estratégia é especialmente relevante para países que enfrentam episódios recorrentes da doença e possuem dificuldades para manter grandes estoques de imunizantes.
Na RDC, parte das doses é mantida no território justamente em razão da frequência com que novos casos de ebola são registrados. A medida busca reduzir o tempo necessário para mobilizar vacinas quando uma nova emergência sanitária é identificada.

