*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A formalização da coligação entre o Partido Liberal (PL) e o MDB para as Eleições de 2026 segue provocando forte turbulência política no estado.
Na última quarta-feira, dia 5 de agosto, durante uma coletiva de imprensa, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), subiu o tom contra a articulação encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL) para a disputa ao Governo de Mato Grosso, que uniu forças com os emedebistas e garantiu a pré-candidatura ao Senado da deputada estadual Janaina Riva (MDB). Sem meias-palavras, o chefe do Executivo municipal classificou a aliança como um erro estratégico e disparou críticas severas aos nomes tradicionais que compõem o grupo.
Abilio não economizou adjetivos para desqualificar a chapa majoritária que une liberais e emedebistas. Para o prefeito cuiabano, a tentativa de aglutinar diferentes lideranças tradicionais sob o mesmo palanque terá o efeito inverso nas urnas.
“É um erro. Esse grupo não ganha eleição. O povo não quer mais essa turma no poder. Juntar Jayme, Riva e Emanuel não ganha eleição. Quanto mais juntar porcaria num grupo, só vai perder. Se a intenção é perder, continua juntando toda essa turma aí”, declarou Abílio durante a coletiva.
O prefeito reforçou a tese resgatando o histórico recente das eleições municipais de 2024, comparando o cenário atual com as surpresas registradas nas urnas em cidades como Cuiabá, Rondonópolis, Primavera do Leste e, especialmente, em Várzea Grande, onde Flávia Moretti (PL) derrotou Kalil Baracat (MDB) contrariando todas as previsões dos institutos de pesquisa.
“Não ganhou em Cuiabá, não ganhou em Várzea Grande, não ganhou em Rondonópolis, não ganhou em Primavera do Leste. E não ganhará o Governo de Mato Grosso. E por que perdeu? Porque o povo de Mato Grosso não quer mais essa turma. Pode reclamar o que for: o povo não quer mais essa turma no poder. E se acham que vão se juntar para voltar ao poder, não vai dar certo. Vão perder!”, emendou o prefeito.
ENTENDA O CASO: A CRISE E A REJEIÇÃO AO “CABRESTO” POLÍTICO
A crise interna no PL veio à tona na noite do último domingo, dia 2 de agosto, após o senador Wellington Fagundes confirmar, durante visita a Barra das Garças, a composição oficial da pré-candidatura ao governo estadual, tendo José Medeiros (PL) e a deputada Janaina Riva (MDB) como concorrentes ao Senado. A manobra buscou reorganizar o tabuleiro político após episódios que barraram a candidatura do senador Jayme Campos.
Contudo, a aproximação com o MDB desagradou profundamente a ala ideológica do partido. Ainda no domingo, Abilio e o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, usaram as redes sociais para manifestar repúdio público à aliança. Abilio destacou o histórico de oposição implacável contra figuras locais do MDB, lembrando inclusive de rivalidades da eleição municipal de 2024 contra Eduardo Botelho, e colocou seu futuro partidário à disposição da legenda, exigindo que o diretório escolha entre tolerá-lo, liberá-lo ou expulsá-lo.
“Não estarei com o MDB. Não posso ser incoerente”, afirmou Abilio em sua manifestação inicial, questionando ainda a exigência de fidelidade partidária caso o pa
rtido decida marchar ao lado de siglas oposicionistas. “Ou me libera, ou tolera, ou expulsa. Com o PT e MDB eu não vou”.
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