A Polícia Federal (PF) realizou, na manhã desta terça-feira (4), uma nova etapa da Operação Sem Desconto e cumpriu mandados de busca e apreensão contra familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Embora seja investigado, o parlamentar não figura entre os alvos das medidas executadas nesta fase da operação.
Familiares do vice-líder estão entre os investigados
A ofensiva policial atingiu pessoas próximas ao senador, incluindo sua esposa, sua filha e duas irmãs. Também foi alvo o advogado Willer Tomaz, conhecido por atuar em casos envolvendo agentes públicos e figuras do meio político.
Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela condução do caso envolvendo autoridades com foro privilegiado.
Segundo a Polícia Federal, esta etapa busca aprofundar a apuração sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas e esclarecer o fluxo de recursos que, em tese, teria sido utilizado para ocultar patrimônio e valores.
PF investiga movimentações financeiras atribuídas ao grupo
De acordo com a corporação, as investigações apontaram indícios de operações financeiras e patrimoniais que teriam sido realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, além da utilização de contas bancárias de terceiros, empresas e movimentações em dinheiro vivo.
Ainda conforme a PF, essas práticas teriam como finalidade esconder a origem e o destino dos recursos sob investigação, dificultando o rastreamento das operações financeiras.
A nova fase da operação pretende identificar a finalidade dos repasses, verificar a origem dos valores movimentados e individualizar a participação de cada investigado no suposto esquema.
Vice-líder já havia sido alvo em fase anterior
O senador Weverton Rocha já havia sido alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025, durante uma etapa anterior da Operação Sem Desconto. Na ocasião, documentos produzidos pela Polícia Federal apontaram que o parlamentar exerceria papel relevante no suporte político e financeiro das atividades atribuídas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Segundo os investigadores, o senador teria mantido proximidade com Antunes e atuado como articulador político do grupo investigado por fraudes envolvendo descontos associativos aplicados sobre benefícios previdenciários.
Os relatórios da PF também sustentam que esse apoio teria contribuído para o fortalecimento das atividades empresariais e financeiras atribuídas ao investigado, apontado como um dos principais nomes do esquema.
Apesar dessas conclusões apresentadas pela investigação, o caso segue em andamento e ainda depende da análise das provas pelas autoridades competentes.
Defesa do senador se manifestou após operação anterior
Quando foi alvo da operação realizada em dezembro de 2025, Weverton Rocha afirmou, por meio de nota, que recebeu a ação da Polícia Federal com surpresa. Na manifestação divulgada à época, o senador informou que se colocaria à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários após ter acesso integral à decisão judicial que fundamentou as buscas realizadas em sua residência.
Até o momento, não havia divulgação de um novo posicionamento público do parlamentar referente à operação desta terça-feira.
Operação Sem Desconto investiga fraudes contra aposentados
A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela Polícia Federal em 23 de abril de 2025 com o objetivo de investigar um suposto esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. As investigações identificaram indícios de cobranças de mensalidades associativas lançadas sem autorização dos beneficiários, prática que teria atingido milhares de aposentados e pensionistas em todo o país. O caso ganhou grande repercussão nacional e provocou desdobramentos políticos, entre eles a saída de Carlos Lupi do comando do Ministério da Previdência.

