O Brasil registrou um novo recorde de feminicídios em 2025, conforme aponta o Anuário Brasileiro da Segurança Pública divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao todo, foram contabilizados 1.571 assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero, um aumento de 4% em comparação aos 1.504 casos registrados em 2024. Os dados reforçam o avanço desse tipo de crime e mostram também crescimento em outros indicadores relacionados à violência contra as mulheres.
Feminicídios atingem maior patamar da série histórica
O levantamento revela que 2025 apresentou o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser tipificado na legislação brasileira, em 2015. A criação dessa modalidade no Código Penal buscou diferenciar os homicídios de mulheres motivados por razões de gênero, especialmente aqueles relacionados à violência doméstica, familiar ou ao menosprezo e discriminação contra a condição feminina.
Segundo a legislação, o feminicídio ocorre quando o assassinato da vítima está diretamente ligado à violência praticada em ambiente doméstico e familiar ou quando é motivado pelo preconceito e pela desigualdade de gênero.
Os números divulgados pelo anuário indicam que a violência letal contra mulheres continua sendo um desafio para as políticas públicas de segurança e proteção às vítimas em todo o país.
Perfil das vítimas aponta maior impacto entre mulheres negras
Os dados do levantamento mostram que 65,1% das vítimas eram mulheres negras, evidenciando a desigualdade racial presente nesse tipo de violência.
Outro dado de destaque é o local onde os crimes ocorreram. Em 62,5% dos casos registrados, as vítimas foram assassinadas dentro de suas próprias residências, indicando que o ambiente doméstico continua sendo o principal cenário para esse tipo de crime.
Especialistas frequentemente apontam que a proximidade entre vítima e agressor dificulta denúncias e medidas preventivas, tornando a violência ainda mais complexa de ser combatida.
Parceiros e ex-parceiros lideram entre os autores
O anuário também detalha a relação entre vítimas e autores dos crimes. Em 60,9% dos feminicídios registrados em 2025, o responsável era o parceiro íntimo da vítima.
Na sequência aparecem os ex-companheiros, responsáveis por 18,9% dos casos, enquanto familiares representam 12,1% das ocorrências. Os números demonstram que a maior parte dos assassinatos ocorre dentro do círculo de convivência da mulher.
Outros indicadores de violência também cresceram
Além do aumento nos feminicídios, o Anuário Brasileiro da Segurança Pública aponta crescimento em diferentes formas de violência contra as mulheres ao longo de 2025.
Entre os principais indicadores, o crime de stalking apresentou o maior avanço, com crescimento de 30% em relação ao ano anterior. A violência psicológica e os casos de descumprimento de medidas protetivas também registraram aumento de 17%.
O levantamento ainda identificou elevação de 6% nas tentativas de feminicídio, demonstrando que mais mulheres sobreviveram a ataques, mas continuam expostas a situações de alto risco.
As ocorrências de agressões relacionadas à violência doméstica cresceram 2,6%, enquanto os registros de ameaças tiveram aumento de 0,5%.
Assédio e importunação sexual também apresentaram alta
O anuário também revelou crescimento nos registros de crimes de natureza sexual. Em 2025, foram contabilizados 9.031 casos de assédio sexual, número 5% superior ao registrado no ano anterior. Já os casos de importunação sexual alcançaram 41.425 ocorrências em todo o país, representando aumento de 5,7% na comparação com 2024.
Os dados indicam que diferentes modalidades de violência contra mulheres seguem em trajetória de crescimento, reforçando o desafio das autoridades na prevenção, investigação e enfrentamento desses crimes.

