O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou nesta quarta-feira (22) que passou a utilizar colete à prova de balas diariamente devido ao crescimento das ameaças de morte registradas contra ele nos últimos meses. A declaração foi feita por meio de uma publicação na rede social X, na qual o parlamentar afirmou já ter contabilizado mais de duas mil ameaças, mas destacou que pretende manter normalmente sua agenda de compromissos e atividades de pré-campanha.
Flávio Bolsonaro recebe reforço na segurança
Diante do aumento dos registros considerados de risco, a Polícia do Senado Federal ampliou significativamente o esquema de proteção destinado ao senador. O efetivo de agentes responsáveis pela segurança do parlamentar foi triplicado, passando a atuar com um protocolo mais rigoroso durante compromissos públicos e deslocamentos oficiais.
Entre as novas medidas adotadas está o uso permanente de colete balístico em eventos e viagens, além do reforço no número de armamentos, equipamentos e veículos utilizados pela equipe de proteção. Também foi implantado um centro de monitoramento em Brasília, com funcionamento ininterrupto, responsável por acompanhar em tempo real todos os deslocamentos do senador e avaliar eventuais situações de risco.
Segundo informações da Polícia do Senado, o modelo reforçado de segurança deverá permanecer em vigor durante todo o período de 2026.
Crescimento das ameaças motivou mudança
O fortalecimento do esquema de segurança ocorreu após um levantamento realizado pelo setor de inteligência da Polícia do Senado identificar um aumento expressivo nas manifestações de ameaça e violência direcionadas ao parlamentar.
Monitoramento apontou milhares de registros
De acordo com o relatório produzido pela equipe de inteligência, desde o início de junho foram identificados mais de dois mil conteúdos relacionados ao senador nas redes sociais e em outros ambientes digitais.
Entre os registros analisados, constam:
- 868 ameaças consideradas explícitas;
- 647 manifestações classificadas como incitação à violência;
- 640 referências codificadas;
- 133 publicações avaliadas como relacionadas ao planejamento ou à oportunidade para possíveis ataques.
A análise desses conteúdos foi um dos principais fatores considerados pelas autoridades para ampliar a estrutura de proteção ao senador.
Parlamentar afirma que seguirá agenda normalmente
Em nota divulgada após a adoção das novas medidas de segurança, Flávio Bolsonaro declarou que não pretende alterar sua rotina política em razão das ameaças.
O senador afirmou que continuará participando de eventos, visitando diferentes regiões do país e mantendo contato com a população durante o período de pré-campanha. Segundo ele, as intimidações não irão interferir em sua atuação pública.
Na mesma manifestação, o parlamentar também direcionou uma mensagem aos seus apoiadores, destacando que considera sua atuação política uma forma de representar brasileiros que enfrentam diariamente problemas relacionados à violência e às dificuldades do cotidiano.
Defesa cita discursos de Lula e aciona STF
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro informou que parte do aumento das ameaças ocorreu após declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo os assessores do senador, alguns discursos do presidente, nos quais foram feitas referências a adversários políticos e à família Bolsonaro, teriam contribuído para intensificar manifestações de hostilidade nas redes sociais.
Com base nesse entendimento, a defesa do parlamentar comunicou que acionou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a apuração das declarações do presidente sob a alegação de possível incitação à violência.
Até o momento, o texto divulgado pela equipe do senador informa apenas que o pedido foi encaminhado ao Supremo, sem detalhar eventuais decisões ou manifestações posteriores sobre o caso.

