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Leia: Moraes apura possível crime eleitoral após Flávio ler carta de Bolsonaro
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Moraes apura possível crime eleitoral após Flávio ler carta de Bolsonaro
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13 de julho de 2026 21:47

OpiniãoMT > Blog > Brasília > Moraes apura possível crime eleitoral após Flávio ler carta de Bolsonaro
Brasília

Moraes apura possível crime eleitoral após Flávio ler carta de Bolsonaro

Moraes envia caso ao MPE para investigar possível propaganda eleitoral antecipada de Flávio Bolsonaro após divulgação de carta de Jair Bolsonaro.

última atualização: 13 de julho de 2026 16:00
Redação OPMT
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6 Minutos de Leitura
Moraes apura possível crime eleitoral após Flávio ler carta de Bolsonaro
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio de informações ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para apurar uma possível propaganda eleitoral antecipada envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. A medida foi tomada após a divulgação, nas redes sociais, de uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, na qual manifesta apoio político ao filho e faz referências à disputa presidencial.

Moraes vê indícios de propaganda eleitoral antecipada

Na decisão divulgada nesta segunda-feira, Alexandre de Moraes afirma que a publicação do conteúdo ultrapassa os limites de uma manifestação pessoal e pode configurar promoção eleitoral antes do período permitido pela legislação. Segundo o ministro, o material divulgado por Flávio Bolsonaro apresenta elementos que, em tese, possuem significado semelhante a um pedido de voto.

O documento foi apresentado pelo senador em vídeos publicados no Instagram e no YouTube, nos quais ele faz a leitura da carta escrita por Jair Bolsonaro durante visita autorizada ao ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar.

Para Moraes, a mensagem contém trechos que incentivam o apoio político ao senador, destacando-o como o nome indicado para disputar a Presidência da República. Diante desse entendimento, o magistrado determinou que o Ministério Público Eleitoral avalie se houve violação das normas que disciplinam a campanha eleitoral.

Carta de Bolsonaro cita apoio ao filho

Na correspondência divulgada nas redes sociais, Jair Bolsonaro conclama seus apoiadores a deixarem divergências de lado para concentrar esforços em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro. O ex-presidente também o classifica como a “melhor opção” para o comando do país.

Na avaliação de Moraes, esse conteúdo pode representar manifestação eleitoral fora do calendário oficial, motivo pelo qual o caso deverá ser examinado pelos órgãos competentes.

Além do encaminhamento ao Ministério Público Eleitoral, a decisão também foi remetida à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá acompanhar os desdobramentos do caso.

Suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro

A mesma decisão do STF determinou a suspensão, por 90 dias, das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai. O ministro considerou que houve desvio da finalidade da autorização concedida para o encontro entre ambos.

Segundo Moraes, a visita teria sido utilizada para obter um documento destinado exclusivamente à divulgação pública, contrariando as restrições impostas ao ex-presidente quanto ao uso de redes sociais e à veiculação de manifestações públicas.

Ainda conforme a decisão, a utilização do manuscrito para ampla divulgação nas plataformas digitais caracterizaria descumprimento das medidas judiciais estabelecidas no processo de execução penal.

Defesa terá prazo para prestar esclarecimentos

O ministro também concedeu prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro informe ao STF se o ex-presidente tinha conhecimento de que a carta seria publicada nas redes sociais após a visita.

O esclarecimento foi solicitado para verificar se houve participação ou anuência do ex-presidente na divulgação do conteúdo que motivou a nova determinação judicial.

Ministro aponta reincidência em comportamento semelhante

Ao fundamentar a decisão, Alexandre de Moraes registrou que situações semelhantes já haviam ocorrido anteriormente. Conforme o despacho, um episódio registrado em agosto de 2025 também envolveu divulgação pública de manifestações atribuídas ao ex-presidente, circunstância que contribuiu para a adoção da prisão domiciliar.

Na avaliação do relator, a repetição desse tipo de conduta reforça a necessidade de adoção de medidas para garantir o cumprimento das restrições impostas pela Justiça.

Caso provoca repercussão política

A divulgação da carta repercutiu entre parlamentares da base governista, integrantes da oposição e aliados do próprio ex-presidente.

Após o episódio, o Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou representação ao Supremo Tribunal Federal solicitando a revogação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. O partido argumenta que as medidas cautelares determinadas pela Corte teriam sido desrespeitadas com a divulgação do conteúdo.

O episódio também ocorreu poucos dias depois de uma troca pública de críticas entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais.

Em meio ao desgaste político, Michelle deixou a presidência do PL Mulher. A decisão foi acertada em reunião com a direção nacional da legenda.

Situação jurídica de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde o ano passado, quando passou a executar pena de 27 anos e três meses de reclusão após condenação relacionada à tentativa de ruptura da ordem democrática após as eleições de 2022.

O processo é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável também pela fiscalização do cumprimento das medidas impostas ao ex-presidente durante a execução da pena.

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