A Polícia Federal deve reforçar a equipe de peritos responsáveis pela análise de provas apreendidas na Operação Compliance Zero, que apura desdobramentos do caso Master. A medida ocorre após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a devolução do material à corporação para acelerar a extração e o processamento de dados de aproximadamente cem dispositivos eletrônicos.
Com a autorização, os aparelhos recolhidos durante a investigação serão redistribuídos a outros especialistas do Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília. A iniciativa amplia a capacidade operacional da perícia e busca dar mais agilidade ao exame das informações armazenadas nos equipamentos.
Secisão no caso Master reforça atuação da PF
No primeiro despacho como relator do processo, André Mendonça revisou determinações anteriores relacionadas ao caso Master. A medida alterou entendimento adotado anteriormente pelo ministro Dias Toffoli, que havia determinado a guarda das provas em seu gabinete.
Posteriormente, o material foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República para custódia, com a designação nominal de quatro peritos responsáveis pela análise. Agora, com a nova decisão, a Polícia Federal retoma integralmente os procedimentos técnicos, incluindo extração, análise e indexação dos dados digitais.
A redistribuição dos equipamentos permitirá que mais profissionais do INC participem do trabalho, aumentando a velocidade na organização e no cruzamento das informações coletadas.
Composição da equipe de peritos
Entre os especialistas inicialmente indicados, ao menos dois devem permanecer no grupo responsável pelos trabalhos: Luís Filipe da Cruz Nassif e Tiago Barroso de Melo, que atuam, respectivamente, como chefe e substituto do Setor de Perícias de Informática do INC, em Brasília.
Com a ampliação da equipe, ambos devem assumir funções de coordenação, delegando parte das atividades técnicas aos demais peritos. Já os outros dois profissionais anteriormente designados — Enelson Candeia da Cruz Filho, da área contábil e financeira, e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti, lotado na Superintendência da PF em São Paulo — podem ser substituídos na nova configuração.
Cadeia de custódia e nível de sigilo no caso Master
Ao autorizar a retomada das análises, Mendonça também determinou que, após a conclusão das extrações e demais procedimentos técnicos, os bens permaneçam sob custódia integral da Polícia Federal. A medida segue o protocolo habitual nessa fase das investigações.
O ministro ressaltou a importância da eficiência operacional diante do volume de dispositivos apreendidos e destacou a necessidade de preservação da cadeia de custódia, etapa considerada fundamental para a validade das provas.
Também foram autorizadas diligências consideradas ordinárias, como a oitiva de investigados e testemunhas na sede da corporação, desde que respeitada a compartimentação das informações. O acesso aos dados ficará restrito às autoridades e agentes diretamente envolvidos na apuração, com imposição de dever de sigilo inclusive em relação a superiores hierárquicos.
Apesar das restrições, houve alteração no grau de confidencialidade do processo. O nível de sigilo foi reduzido do grau IV, estabelecido anteriormente, para o grau III.
Mudança na relatoria do caso Master
A relatoria do caso Master foi transferida em 12 de fevereiro, após a perícia da Polícia Federal identificar menções ao ministro Dias Toffoli em um aparelho celular vinculado ao empresário Daniel Vorcaro. O relatório técnico foi encaminhado pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Em meio à repercussão, Toffoli deixou a supervisão do processo, que passou a ser conduzido por André Mendonça. A nova decisão marca uma mudança na condução das medidas relacionadas à investigação, com reforço da atuação direta da Polícia Federal na análise do material apreendido.

