A investigação que envolve Vorcaro e Toffoli ganhou novos desdobramentos após a Polícia Federal encaminhar ao Supremo Tribunal Federal um relatório detalhando encontros presenciais e movimentações financeiras consideradas relevantes para o caso. O documento, revelado pelo portal UOL, descreve reuniões ocorridas ao longo de 2023 e 2024 entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Dias Toffoli, apontando indícios de proximidade além de contatos institucionais.
Segundo os investigadores, os registros indicam que os dois participaram de compromissos sociais em Brasília, incluindo jantares, eventos e celebrações privadas. Entre as mensagens interceptadas, consta convite feito pelo magistrado ao banqueiro para uma comemoração de aniversário, enviado por aplicativo de mensagens.
Vorcaro e Toffoli: encontros e questionamentos sobre proximidade
O relatório da Polícia Federal sustenta que houve mais de dez encontros presenciais entre Vorcaro e Toffoli no período analisado. Para os investigadores, a frequência dessas reuniões sugere uma relação mais próxima do que meros contatos ocasionais.
Durante reunião interna no STF, o ministro André Mendonça teria afirmado que as interações entre os dois foram breves. No entanto, os dados reunidos pela PF apontam uma convivência reiterada em diferentes ocasiões sociais. A divulgação dessas informações levou o ministro Dias Toffoli a deixar a relatoria do processo, logo após o conteúdo chegar ao conhecimento do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Repasses milionários e apuração sobre contratos
Outro ponto central da apuração envolve transferências financeiras no valor de R$ 35 milhões. De acordo com o relatório, os recursos teriam sido repassados pelo fundo Arleen, vinculado a Vorcaro, à empresa Maridt, da qual Dias Toffoli é sócio juntamente com familiares.
A investigação destaca que a venda de parte de um empreendimento turístico pela Maridt ao fundo ocorreu em setembro de 2021. Entretanto, mensagens analisadas indicam que pagamentos relacionados ao negócio foram efetuados apenas em 2024 e 2025, intervalo que despertou a atenção dos investigadores.
A PF busca esclarecer se há relação entre as movimentações financeiras e eventuais atuações do ministro na Corte. O foco das diligências recai sobre a origem dos recursos, a regularidade contratual e a compatibilidade dos valores com práticas de mercado no setor imobiliário.
Repercussão interna no Supremo
O vazamento do conteúdo do relatório e de discussões internas provocou clima de tensão entre ministros do STF. Há suspeitas de que diálogos reservados possam ter sido gravados antes da redistribuição do caso.
Em manifestação oficial, Dias Toffoli negou manter amizade íntima com Daniel Vorcaro e afirmou não ter conhecimento direto sobre o gestor do fundo Arleen. O ministro também declarou que não recebeu valores do banqueiro nem de pessoas ligadas a ele, sustentando que não há fundamento jurídico que justifique sua suspeição.
Redistribuição do caso e próximos passos
Com a saída de Toffoli da relatoria, os inquéritos foram redistribuídos ao gabinete do ministro André Mendonça. Órgãos de controle e representantes da oposição acompanham o andamento das investigações, especialmente no que se refere aos fluxos financeiros apontados no relatório.
A defesa de Vorcaro e o gabinete de Toffoli não se manifestaram publicamente sobre a frequência dos encontros presenciais. Partes do documento permanecem sob sigilo, medida que busca evitar novos desgastes institucionais enquanto as apurações seguem em curso.
A Polícia Federal continua rastreando as contas da empresa Maridt para identificar a origem e o destino final dos valores envolvidos. O objetivo é verificar a regularidade das operações e a consistência jurídica dos contratos celebrados.

