A investigação sobre o Banco Master ganhou novos contornos após a divulgação de extratos bancários ligados a movimentações financeiras sob análise da Polícia Federal (PF). A instituição, liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro, é apontada pelas autoridades como responsável por operações consideradas fraudulentas, que teriam afetado cerca de 1,6 milhão de pessoas físicas e jurídicas em todo o país.
Segundo a PF, as irregularidades atribuídas ao banco resultaram em um impacto estimado em R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O limite de ressarcimento previsto pelo fundo é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, o que significa que valores superiores a esse teto não são cobertos.
Extratos bancários entram no centro da investigação
Reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo revelou que um fundo de investimentos teria sido utilizado para adquirir parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no resort Tayayá, localizado no Paraná. A transação teria movimentado aproximadamente R$ 35 milhões.
De acordo com o veículo, os aportes financeiros teriam sido realizados por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Os extratos bancários dessas operações foram obtidos pela reportagem e indicariam coincidência entre as datas das transferências e as tratativas para a formação de sociedade entre o fundo de investimentos e a empresa ligada ao ministro.
Ainda conforme a publicação, Vorcaro teria cobrado agilidade na liberação dos recursos, alegando estar sendo pressionado para que os valores fossem transferidos ao empreendimento.
Posicionamento das partes envolvidas
Em nota divulgada anteriormente, o ministro Dias Toffoli afirmou que não recebeu valores diretamente de Daniel Vorcaro e negou manter relação de amizade com o banqueiro. Ele declarou que os recursos recebidos foram decorrentes da venda da participação de sua família no resort.
Procurado pela imprensa no último sábado, Vorcaro não se manifestou sobre os questionamentos apresentados. Já os advogados de Fabiano Zettel informaram que não comentariam o caso.
Atuação do STF e novos desdobramentos
O ministro André Mendonça, designado como novo relator do caso no STF, solicitou à direção da Polícia Federal o envio de um relatório detalhado sobre as apurações em andamento. Em nota à imprensa, a PF informou que o encontro com o relator teve como objetivo o alinhamento de procedimentos relacionados ao processo.
Durante sessão do plenário do Supremo, ministros se pronunciaram sobre o envolvimento citado na investigação. O próprio Toffoli confirmou ter recebido recursos vinculados à negociação do resort, reiterando que se tratava de operação comercial regular.
Repercussão política e pedido de CPI
O caso Banco Master passou a mobilizar o cenário político em Brasília, envolvendo integrantes do governo e membros do Judiciário. No Senado, foi protocolado pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos.
O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, declarou que o requerimento seguirá a ordem cronológica de apresentação, afirmando que há outros pedidos pendentes aguardando análise.
As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal, que também periciou o telefone celular apreendido de Daniel Vorcaro no momento de sua prisão. A expectativa é que novas informações surjam a partir do material analisado.

