Uma operação realizada pela Delegacia Especial de Atendimento ao Turismo (Deat), com o apoio de policiais do 23º Batalhão (Leblon), no Rio de Janeiro, desmontou um esquema de fraudes envolvendo ambulantes e motoristas de aplicativo nas praias da zona sul carioca. A ação foi motivada por denúncias de turistas que relataram cobranças exorbitantes em compras simples, como milho ou água.
Cobranças abusivas surpreenderam turistas
De acordo com a investigação, os criminosos atuavam principalmente na Praia de Ipanema e em pontos movimentados de Copacabana. Os relatos são chocantes: um turista chegou a pagar R$ 22 mil por uma garrafa de água, enquanto outro foi cobrado em R$ 300 por um milho. As maquininhas de cartão eram adulteradas para realizar transações muito acima do valor correto.
A delegada Patrícia Alemany, responsável pela Deat, destacou que os trechos com maior incidência dos golpes praticados por ambulantes estão localizados entre os postos 8 e 9 da Praia de Ipanema, além da região que vai da Avenida Princesa Isabel até o Posto 3, em Copacabana. Segundo ela, esses locais são os preferidos dos criminosos justamente por serem muito frequentados por turistas.
Como funcionava o esquema dos ambulantes
O golpe funcionava da seguinte forma: os ambulantes exibiam um preço verbalmente, mas ao passar o cartão, o visor da maquininha mostrava outro valor, muitas vezes com a tela propositalmente danificada ou com brilho excessivo, dificultando a conferência do cliente. Só após a transação concluída é que a vítima percebia ter pago valores absurdos por produtos simples, como uma caipirinha que chegou a ser cobrada em R$ 20 mil, ou um biscoito vendido por R$ 3 mil.
A operação resultou na detenção de 13 suspeitos na Praia de Ipanema, que foram liberados após serem identificados. As maquininhas foram apreendidas para investigação. De acordo com a delegada, os próximos passos incluem o reconhecimento dos suspeitos pelas vítimas e a solicitação de quebra de sigilo das maquininhas, com o objetivo de rastrear os responsáveis pelas contas que receberam os valores das transações fraudulentas.
A delegada Patrícia Alemany reforça a importância de atenção redobrada na hora de efetuar pagamentos a ambulantes nas praias. Ela orienta que, se não for possível visualizar com clareza o valor na maquininha, é mais seguro optar por pagamento em dinheiro. “Nosso foco não é criminalizar o trabalhador honesto, mas, infelizmente, há criminosos infiltrados entre os ambulantes”, destacou.

