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Leia: “Vendendo o almoço para comprar a janta”: Taxistas de Cuiabá denunciam abismo de 12 anos sem reajuste
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7 de junho de 2026 18:11

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OpiniãoMT > Blog > Cuiabá > “Vendendo o almoço para comprar a janta”: Taxistas de Cuiabá denunciam abismo de 12 anos sem reajuste
Cuiabá

“Vendendo o almoço para comprar a janta”: Taxistas de Cuiabá denunciam abismo de 12 anos sem reajuste

última atualização: 30 de março de 2026 11:18
Jornalista Mauad
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4 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

A categoria dos taxistas da Capital vive o que define como um “estrangulamento financeiro”. Com as tarifas congeladas há mais de uma década, os profissionais formalizaram uma comissão para cobrar do prefeito Abilio Brunini (PL) a atualização dos valores. O porta-voz do movimento, Joenilson Jesus de Campos, taxista há 25 anos, descreve um cenário devastador onde a inflação corroeu a dignidade da profissão.

Para Joenilson, a defasagem não é apenas um número, mas um impacto direto na segurança e na manutenção dos veículos que circulam pelas ruas de Cuiabá.

“O impacto é devastador. Quando dizemos que estamos vendendo o almoço para comprar a janta, não é força de expressão. O preço da gasolina, do diesel e das peças de reposição subiu mais de 100% na última década, enquanto nossa tarifa estagnou. Isso estrangula nossa capacidade de investimento”, desabafa o profissional.

Ele destaca que o clima de Cuiabá impõe custos extras que não são considerados na planilha atual.

“Fazemos milagre para manter o veículo limpo e seguro sob um calor de 40 graus, que exige ar-condicionado 100% do tempo. Hoje, o profissional precisa trabalhar 14 ou 16 horas por dia para levar para casa o mesmo que levava há 10 anos”.

Os taxistas argumentam que o processo administrativo já percorreu todos os trâmites legais na Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) e na Procuradoria Geral do Município (PGM). Segundo a categoria, não restam impedimentos jurídicos, apenas a decisão do Executivo.

“O que falta agora é a vontade política, a assinatura do prefeito. A categoria acredita que a demora se deve a uma visão equivocada de que o reajuste seria impopular. Mas o que é impopular é o sucateamento de um serviço público essencial”, afirma Joenilson.

DESRESPEITO À LEI: O ARTIGO 29 IGNORADO

A base jurídica da reivindicação é a Lei Ordinária nº 5.090/2008. O artigo 29 estabelece que as tarifas devem ser calculadas pelo menos uma vez por ano. No entanto, Joenilson aponta uma “negligência histórica” das gestões anteriores.

A meta da comissão é que, após este reajuste emergencial, seja criada uma mesa técnica para que a atualização se torne automática, baseada no IPCA ou no preço dos combustíveis. “A lei existe para ser cumprida, mas o gatilho da atualização nunca foi acionado automaticamente. Queremos um canal permanente para nunca mais chegarmos a esse abismo de 10 anos de defasagem”, explica.

DISTORÇÃO TÉCNICA E O RISCO DE “APAGÃO”

Atualmente, Cuiabá pratica uma das tarifas mais baixas do país, com a bandeirada unificada em R$ 4,80 tanto para a Bandeira 1 quanto para a 2, algo que Joenilson classifica como um erro técnico.

A proposta da categoria é elevar a bandeirada para R$ 6,50, com o quilômetro rodado passando para R$ 4,54 (B1) e R$ 5,44 (B2).

“Quem trabalha de madrugada, feriados ou domingos abre mão do convívio familiar em horários penosos. Sem uma Bandeira 2 atrativa, corremos o risco de um apagão de táxis nas madrugadas da Capital, pois o custo de operar nesses horários simplesmente não se paga hoje”, alerta o porta-voz.

Mesmo com a concorrência dos aplicativos, a categoria defende que o táxi continua sendo o modal mais eficiente para quem tem pressa e preza por segurança, devido ao uso das faixas exclusivas e ao cadastro rigoroso dos motoristas profissionais.

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