*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A categoria dos taxistas de Cuiabá deu um passo decisivo em direção à sobrevivência da profissão na capital. Em reunião realizada na noite da última segunda-feira, dia 23 de março, nos arredores da Arena Pantanal, dezenas de profissionais se mobilizaram para formalizar uma comissão que levará as reivindicações urgentes diretamente ao prefeito Abilio Brunini (PL).
Amargando mais de uma década sem reajuste, a categoria assinou uma ata que será o documento base para a negociação com o Executivo Municipal.
A COMISSÃO E A PONTE COM O EXECUTIVO
O principal resultado do encontro foi a organização de uma comissão representativa. Segundo Joenilson Jesus de Campos, taxista com mais de 25 anos de experiência, o grupo foca em duas pautas emergenciais que já tramitam na Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob/antiga SMTU): a transferência de pontos e a atualização da tarifa do “táxi único”.
“Foi feita uma reunião para a gente organizar uma comissão. Agora vamos tratar com o prefeito Abilio a transferência de ponto e tarifa. Iremos falar com ele através do vereador Dilemário, que ficou de fazer a ponte entre a categoria e a prefeitura”, explicou Joenilson.
“VENDENDO O ALMOÇO PARA COMPRAR A JANTA”
A situação financeira dos motoristas é crítica. Enquanto o custo de vida, combustíveis e manutenção de veículos dispararam nos últimos 12 anos, o valor da “bandeirada” (a partida do taxímetro) permanece estagnado em R$ 4,80, tanto para a Bandeira 1 quanto para a Bandeira 2.
Joenilson relata que o processo de reajuste já passou pela Procuradoria Geral do Município e retornou à Semob, dependendo agora exclusivamente da canetada do prefeito.
“Nós estamos sofrendo, estamos, na verdade, vendendo o almoço para comprar a janta”, desabafou o profissional.
O QUE A LEI PREVÊ
A mobilização dos taxistas baseia-se na Lei Ordinária nº 5.090/2008, que estabelece as normas para o serviço em Cuiabá. O Artigo 29 da referida lei é claro ao afirmar que as tarifas devem ser calculadas pelo menos uma vez por ano e revistas sempre que o aumento dos custos exigir.
A crítica da categoria é direcionada às gestões anteriores, que ignoraram a legislação e deixaram o setor à margem de reajustes inflacionários, ao contrário do que ocorre em grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo.
VÍDEO DA MOVIMENTAÇÃO DOS TAXISTAS NO LOCAL

