*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A delegada aposentada da Polícia Civil, Ana Cristina Feldner, utilizou as redes sociais para publicar um duro desabafo em vídeo após ter sido retirada, sem aviso prévio ou diálogo, segundo ela, do posto de primeira suplente na chapa da candidata ao Senado e deputada estadual Janaina Riva (MDB).
No pronunciamento, Feldner classificou o episódio como um ato de desrespeito e violência política de gênero, afirmando categoricamente que não se sente representada pela emedebista.
Com uma trajetória marcada por mais de duas décadas de atuação na segurança pública do estado, a delegada aposentada externou sua indignação com a condução dos bastidores políticos do grupo de Janaina Riva.
“Eu me sinto usada, enganada, desrespeitada. Eu estou aqui exigindo respeito e coerência. Respeito à minha trajetória, à minha história e principalmente à mulher que eu sou. A candidata ao Senado Janaina Riva não me representa como mulher”.
Feldner ressaltou que sua indignação não está atrelada à perda do espaço ou da vaga na chapa, mas sim à quebra de postura ética e ao descarte da sua figura pública.
“O lugar pouco interessa, o cargo menos ainda. Indicações vêm, cargos passam, isso nunca foi a minha prioridade. Mas o respeito e a coerência, essas sim são minhas prioridades. Em mais de 20 anos de serviço público, nunca me senti tão desrespeitada ou desmerecida como mulher”.
Na legenda do vídeo publicado no perfil, a ex-delegada aprofundou as críticas sobre a conduta da deputada em relação à solidariedade feminina na política.
“Eu fui convidada. Aceitei porque acreditei que poderia contribuir. Tive meu nome colocado em um determinado espaço político e, depois, fui retirada sem o menor diálogo e sem respeito. Será que uma mulher precisa menosprezar outra mulher para afirmar sua própria posição? Ou será que, quando uma mulher deixa de ser conveniente, ela pode simplesmente ser desconsiderada? Eu não estou aqui para dar o veredito. Estou aqui para contar o que vivi e fazer uma pergunta que considero importante”.
Com a saída de Ana Cristina Feldner, a primeira suplência da chapa de Janaina Riva passou a ser ocupada por Aluízio Lima, ex-vereador de Salto do Céu e ex-presidente da União das Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMAT). A segunda suplência permanece sob a titularidade do vereador de Rondonópolis, Ibrahim Zaher (MDB).
O OUTRO LADO: JANAÍNA ALEGA ACORDO TEMPORÁRIO
A deputada estadual e candidata ao Senado, Janaina Riva, negou qualquer conduta desonesta e sustentou que a passagem de Feldner pela chapa foi concebida desde o início como uma solução provisória de registro.
“Quando eu convidei a Ana para ser suplente, eu disse a ela que seria temporário, porque não havia tempo hábil para poder fazer a troca de suplência. A suplência era do partido Podemos. Eu tinha dois suplentes definidos com o presidente Max Russi. Uma coisa tenho comigo com muita tranquilidade, o que eu precisava expliquei desde o início, então da minha parte não teve nenhuma desonestidade. Eu fui muito clara, desde o primeiro momento. Então eu disse a ela que seria temporário e perguntei se ela toparia ser candidata por período determinado. E ela disse que sim.”
Janaina também revelou ter conversado com Feldner após a consolidação da substituição nos sistemas eleitorais e atribuiu o desgaste a falhas de expectativa.
“Ela havia dito para mim que ela nutria uma expectativa, que havia sido criada por uma assessora que tenho, de que talvez ela poderia ficar. Mas eu falei: olha, mas para mim nada mudou. Desde o começo eu falei que eu precisaria depois fazer a substituição. Eu lamento muito, mas eu não vou fazer nenhuma ofensa, nenhum ataque. Campanha é isso mesmo, a gente tem que estar preparado para esse tipo de coisa”.
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