*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O cientista político, analista e professor doutor em filosofia Haroldo Arruda utilizou as redes sociais para fazer uma reflexão crítica sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Evocando o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Arruda alertou sobre os riscos do exercício de poder sem contrapesos e questionou a narrativa daqueles que se colocam como tutores absolutos da democracia.
Iniciando a análise, o professor convidou o público a refletir sobre como o pensador alemão interpretaria o atual cenário político e jurídico brasileiro.
“Se Nietzsche estivesse vivo hoje, o que ele pensaria da atitude do Alexandre de Moraes? Muito cuidado com quem diz que está protegendo a liberdade, mas quer decidir até onde ela pode ir”, pontuou Arruda.
Para fundamentar a crítica, o analista político recorreu ao ceticismo histórico de Nietzsche em relação a discursos idealizados.
Segundo o professor, o filósofo alemão sistematicamente desconfiava de figuras e grupos que se utilizavam de retóricas centradas na “bondade” e na “moralidade” para legitimar a expansão de suas esferas de poder.
“O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, ele desconfiava daqueles que usavam discursos de bondade e moralidade para justificar o exercício do poder. Traduzindo para uma linguagem bem simples para vocês entenderem, nem todo aquele que diz estar fazendo o bem está, necessariamente, agindo de maneira justa”, declarou Haroldo Arruda.
O cientista político simulou o questionamento que o pensador direcionaria ao magistrado brasileiro diante das decisões recentes conduzidas pela Corte. Para Arruda, embora o combate ao crime e a salvaguarda das instituições sejam atribuições fundamentais da justiça, o próprio sistema judicial deve operar sob balizas e limites estritos.
“Agora imagine Nietzsche diante da atuação do atual ministro Alexandre de Moraes. Será que ele não perguntaria o seguinte: ‘O senhor está defendendo a democracia ou está usando a defesa da democracia para justificar as próprias decisões?'”, questionou.
O analista reforçou que nenhuma autoridade pública está imune ao escrutínio social e institucional.
“Combater crimes e proteger instituições é dever da justiça, mas até a justiça precisa ter limites. Afinal, quem tem poder também precisa ser fiscalizado e questionado, porque existe uma diferença enorme entre proteger a democracia e querer ser o dono dela”, enfatizou.
Encerrando a análise, Haroldo Arruda deixou um questionamento provocativo sobre a concentração de papéis de salvaguarda institucional em uma única figura, alertando para a necessidade constante de freios institucionais e fiscalização pública em um Estado Democrático de Direito.
“Termino com uma reflexão: quando alguém se apresenta como o único defensor da democracia, como nós estamos vendo aí, precisamos perguntar o seguinte: quem vai nos defender dos possíveis abusos desse defensor?”, concluiu o professor
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