Fisicamente, sexualmente, psicologicamente, verbalmente ou financeiramente são algumas das formas de violência sofridas, cotidianamente, por muitas mulheres. A luta contra as agressões e o feminicídio transcende o desejo da vítima de sair da situação. Para além da coragem, é necessária a presença do Estado e a disponibilização de canais de atendimento e apoio especializado em todos os âmbitos.
Com intuito de dar visibilidade e ampliar os debates sobre essas questões, a Procuradoria da Mulher da ALMT realizou um café da manhã com os servidores da Casa de Leis. A iniciativa é alusiva à campanha “Agosto Lilás”, mês de conscientização sobre violência de gênero e feminicídio.
O evento foi marcado pelo depoimento emocionado de uma vítima de violência doméstica, a personal trainer Débora Sander. Ela falou dos desafios para sair de uma relação abusiva e da dificuldade de denunciar. “Foram dois anos de relação, mas com seis meses juntos os abusos começaram”, conta. “Sofri violência emocional, psicológica e quatro agressões físicas. Na última, apanhei tanto que perdi a consciência. Foi quando resolvi denunciar, mas como ele é policial, minha denúncia não deu em nada. Ele está livre e estou vivendo escondida para manter minha segurança”, lembrou muito emocionada.
Débora contou que só com a repercussão pública da denúncia é que conseguiu apoio de outros órgãos para andamento do processo. “Contar a minha história tem sido uma forma de me reconhecer como vítima, mas principalmente como protagonista para ajudar outras mulheres a não se calarem, mesmo diante de homens que se julgam poderosos”, afirmou.
O 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho deste ano, indicou o crescimento de casos em todos os tipos de violência contra mulheres no Brasil, em 2023. O estudo é feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e revela uma realidade triste que afeta diariamente mulheres de todas as classes sociais, etnias e regiões.
Em Mato Grosso a estatística é ainda mais perversa, como revela o levantamento que aponta o estado com a maior taxa de feminicídios do Brasil. Foram registradas 2,5 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres. Em números absolutos, foram 46 feminicídios só no ano passado. A taxa é quase o dobro da nacional, que alcançou 1,4 morte para cada 100 mil mulheres.
“É um compromisso e uma obrigação da Assembleia Legislativa reforçar politicas públicas de enfrentamento a todo tipo de violência contra as mulheres”, afirmou o deputado Carlos Avallone (PSDB), vice-presidente da Procuradoria Especial da Mulher. Segundo ele, “é fundamental que se encare a gravidade desse problema social e que haja políticas para reforçar a conscientização sobre a violência de gênero, além de criar mecanismos de orientação, apoio e segurança para as mulheres que sofrem com essa triste realidade”, ressaltou.
O parlamentar defendeu ainda que haja mais participação dos homens nos debates e nas ações que discutem sobre o tema. “As vítimas são as mulheres e nós precisamos falar muito mais com os homens para nos educar sobre mudanças de comportamento”, defendeu. “É muito bom ver as mulheres se empoderando com informações para denunciar e buscar apoio, mas precisamos que mais homens reforcem essa luta contra os agressores”, afirmou.
*Maira Nienow