O prejuízo dos Correios alcançou R$ 3,16 bilhões nos três primeiros meses de 2026, conforme apontam as demonstrações financeiras divulgadas pela estatal nesta segunda-feira (1º). O resultado negativo representa uma piora significativa em relação ao mesmo período do ano anterior, quando as perdas somaram R$ 1,73 bilhão. Os números reforçam o cenário de dificuldades enfrentado pela empresa, que acumula sucessivos resultados negativos desde 2022.
O desempenho financeiro do trimestre confirma sinais já observados em balanços preliminares divulgados anteriormente. Com isso, a companhia chega ao 14º trimestre consecutivo operando com resultados deficitários. Em 2025, a estatal registrou perdas de R$ 8,5 bilhões, o maior resultado negativo de sua trajetória.
Prejuízo dos Correios é impactado pela queda nas importações
Entre janeiro e março de 2026, a receita bruta obtida com vendas e serviços totalizou R$ 4,04 bilhões, representando uma redução de 2,2% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Um dos principais fatores que contribuíram para a redução do faturamento foi a forte retração das receitas provenientes de encomendas internacionais. O segmento registrou queda de 60,3%, passando de R$ 393 milhões no primeiro trimestre de 2025 para apenas R$ 156 milhões neste ano.
A diminuição acompanha uma tendência observada desde a implementação do programa Remessa Conforme, lançado em 2023. O modelo alterou as regras para compras internacionais de pequeno valor, introduzindo a cobrança de Imposto de Importação para mercadorias de até US$ 50, medida que ficou amplamente conhecida entre consumidores brasileiros.
Participação das encomendas internacionais encolheu
O impacto dessa mudança também pode ser observado na participação das encomendas internacionais dentro da receita total da empresa. Em 2023, esse segmento representava cerca de 22% do faturamento dos Correios. Agora, sua participação caiu para apenas 7,8%.
Além das operações internacionais, o volume de receitas obtidas com encomendas em geral também apresentou retração. O segmento registrou redução de 5,4%, o equivalente a uma diminuição de R$ 128 milhões na arrecadação.
Despesas financeiras pressionam resultado da estatal
Outro fator determinante para o aumento das perdas foi o crescimento expressivo das despesas financeiras. No primeiro trimestre de 2026, esses gastos atingiram R$ 985 milhões, valor muito superior aos R$ 283 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Segundo os dados financeiros divulgados pela empresa, o avanço das despesas está relacionado principalmente aos encargos e juros de contratos firmados pela estatal. Entre eles está um financiamento de R$ 12 bilhões contratado no final de 2025 com garantia da União.
Os recursos foram destinados à cobertura de passivos e ao financiamento de um plano de reestruturação corporativa. A projeção é que o custo total dessa operação financeira alcance R$ 22,4 bilhões ao longo do período de vigência do empréstimo.
Revisão de passivos amplia obrigações judiciais
O balanço também incorporou uma provisão de R$ 1,06 bilhão relacionada a riscos em processos trabalhistas. A maior parte desse valor está vinculada à reavaliação de ações judiciais envolvendo questões trabalhistas, cujo montante estimado chega a R$ 3,95 bilhões.
Esses valores haviam sido retirados das demonstrações financeiras em gestões anteriores, mas voltaram a ser contabilizados após recomendações e questionamentos de órgãos de controle. Com a atualização das estimativas, o total de contingências judiciais registradas pelos Correios alcançou R$ 4,66 bilhões em março de 2026.
Redução de custos operacionais ameniza parte das perdas
Apesar do cenário adverso, a estatal conseguiu promover uma redução nas despesas operacionais durante o período analisado. Os custos totais caíram 7,6%, encerrando o trimestre em R$ 3,7 bilhões. Os gastos com pessoal também apresentaram retração. A despesa nessa área ficou em R$ 2,7 bilhões, resultado 4,1% inferior ao observado anteriormente.
Parte dessa redução está associada aos efeitos do Plano de Demissão Voluntária (PDV), implementado nos últimos anos. A medida ajudou a compensar os impactos do reajuste salarial concedido aos funcionários da empresa.
Logística e serviços impulsionam receitas
Enquanto alguns segmentos registraram queda, outras áreas apresentaram crescimento e ajudaram a amenizar o resultado negativo. O destaque ficou para o grupo denominado “Outros serviços”, que reúne operações de logística integrada e serviços de conveniência oferecidos nas agências. A receita desse segmento avançou 48% no trimestre, alcançando R$ 465 milhões.
Outro desempenho positivo veio da área de mensagens postais, que registrou crescimento de 11,4% e encerrou o período com faturamento de R$ 1,2 bilhão. Esses resultados indicam uma tentativa da empresa de diversificar suas fontes de receita diante das mudanças no mercado de encomendas e da redução da participação das remessas internacionais.

