O Brasil registrou mais de 9 milhões de indícios de golpes e fraudes financeiras entre janeiro e junho de 2026, segundo levantamento da Quod, empresa especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito. O volume representa crescimento de 10,26% em comparação com os 8,26 milhões de registros contabilizados no segundo semestre de 2025.
De acordo com os critérios utilizados pela empresa, os dados incluem tanto tentativas suspeitas quanto fraudes que efetivamente foram concretizadas. O aumento dos registros ocorre em um cenário de reforço na troca de informações entre instituições financeiras, impulsionado por novas regras estabelecidas pelo Banco Central.
Golpes passam a ser identificados com maior integração de dados
O levantamento foi produzido com informações do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), sistema colaborativo desenvolvido pela Quod para reunir dados compartilhados por bancos, instituições financeiras e empresas.
A plataforma permite centralizar informações sobre ocorrências suspeitas, padrões de atuação e histórico de envolvidos em fraudes. Com a integração dos dados, as instituições conseguem identificar comportamentos semelhantes, acompanhar movimentações consideradas de risco e adotar medidas preventivas antes que determinadas operações sejam concluídas.
Resolução do Banco Central ampliou o compartilhamento
A Resolução 501 do Banco Central contribuiu para ampliar a comunicação entre as instituições do sistema financeiro. A partir do fortalecimento dessa cooperação, informações sobre tentativas de fraude passaram a ser compartilhadas de forma mais abrangente.
Segundo a Quod, parte do crescimento observado nos números está relacionada justamente à melhora na capacidade de identificar e registrar ocorrências que anteriormente poderiam não entrar nas estatísticas oficiais ou permanecer isoladas em diferentes sistemas.
Celular e Pix aparecem entre os principais meios usados
Os dispositivos móveis continuam sendo o principal ambiente para a realização de operações financeiras fraudulentas. Conforme o levantamento, 78% dos casos registrados tiveram o celular como meio utilizado.
As contas correntes apareceram em 94% das ocorrências analisadas. Já o Pix foi identificado em 85% dos casos, confirmando a forte presença dos meios digitais nas movimentações investigadas.
A popularização das transações instantâneas e o uso frequente de aplicativos bancários fazem com que o ambiente digital permaneça como um dos principais focos de atenção das instituições responsáveis pela prevenção de fraudes.
Engenharia social responde por milhões de ocorrências
Entre as estratégias mais utilizadas pelos criminosos está a engenharia social. A prática consiste em manipular a vítima por meio de mensagens, ligações, falsas abordagens ou outras formas de contato para obter informações ou induzir a realização de uma operação financeira.
A modalidade esteve presente em 40% dos registros do primeiro semestre, o que corresponde a mais de 3,6 milhões de ocorrências. Nesse tipo de abordagem, os fraudadores costumam explorar situações de urgência, medo ou confiança para convencer as vítimas a fornecer dados ou transferir dinheiro.
Jovens concentram quase metade das vítimas
O estudo também traçou um perfil das pessoas atingidas pelas fraudes. Os brasileiros entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas identificadas no período.
A faixa etária de 35 a 49 anos aparece em seguida, com 29,98% dos registros. Em relação ao gênero, os homens correspondem a 51% das vítimas, enquanto as mulheres representam 48%.
O levantamento aponta ainda que 58% das pessoas atingidas recebem até dois salários mínimos, indicando uma concentração significativa das ocorrências entre consumidores com menor renda.
Reincidência atinge centenas de milhares de pessoas
Ao todo, 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes financeiras nos seis primeiros meses de 2026. Desse grupo, aproximadamente 799 mil sofreram ocorrências em duas ou mais ocasiões.
O número representa cerca de um quarto do total de vítimas e evidencia a presença de casos de reincidência entre os consumidores que tiveram seus dados ou recursos envolvidos em operações fraudulentas.
Quod recomenda atenção durante operações digitais
A orientação da Quod é que os consumidores adotem cautela ao realizar transações financeiras, especialmente por meio de celulares. A empresa recomenda evitar decisões tomadas sob pressão e desconfiar de mensagens que solicitem cliques em links ou o fornecimento de informações pessoais e bancárias.
Outra recomendação é não emprestar contas para receber ou transferir valores de terceiros. De acordo com a empresa, essa prática pode envolver o consumidor em esquemas de contas utilizadas para movimentar recursos de origem ilícita.

