*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira, dia 29 de outubro, a Operação Tomada de Contas, que investiga graves suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos de servidores no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). O principal alvo da ação é o presidente do tribunal, o conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, que foi preso preventivamente por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Diante da presença dos policiais nas dependências da instituição, em Cuiabá, o expediente no prédio do TCE-MT foi suspenso e a entrada de servidores foi proibida ao longo de toda a manhã. A operação debruça-se sobre a gestão administrativa e financeira da Corte encarregada justamente de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos estaduais e municipais em Mato Grosso.
ESTRUTURA DA OPERAÇÃO E MANDADOS EM TRÊS ESTADOS
A ofensiva mobilizou um contingente de 180 policiais federais, que saíram às ruas para cumprir ordens judiciais expedidas pelo STJ. Ao todo, a Justiça autorizou: 6 mandados de prisão preventiva; 26 mandados de busca e apreensão domiciliar e institucional; ordens de quebra de sigilo bancário e telemático; e sequestro de bens e valores dos investigados.
As diligências ocorrem simultaneamente em municípios de três estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
PRESSÃO A FORNECEDORES E SAQUES EM ESPÉCIE NO PRÓPRIO TRIBUNAL
Segundo as investigações da Polícia Federal, há indícios de que contratos administrativos do próprio TCE-MT eram suspensos intencionalmente para pressionar fornecedores e prestadores de serviço a ceder a exigências do grupo investigado. Os agentes apuram o favorecimento na liberação de recursos públicos e discrepâncias injustificadas nos pagamentos efetuados a empresas contratadas.
Outro ponto central da apuração envolve movimentações financeiras atípicas e saques frequentes de elevados montantes em dinheiro vivo. A PF tenta esclarecer os vínculos entre valores creditados em contas bancárias e retiradas em espécie efetuadas diretamente nas dependências do tribunal.
Os supostos crimes de corrupção contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa estão sendo investigados.
O TCE-MT é o órgão constitucional responsável por auditar o orçamento de secretarias de Estado, da Assembleia Legislativa, do Governo e de todas as 141 prefeituras e câmaras municipais mato-grossenses.

