*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A deflagração da Operação Tomada de Contas pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, dia 29 de outubro, revelou um cenário de luxo e ostentação durante o cumprimento de mandados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Além da prisão preventiva do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), o conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, a operação impressionou pela quantidade e valor dos bens apreendidos pelos investigadores.

As imagens divulgadas pela Polícia Federal mostram pilhas volumosas de dinheiro em espécie, incluindo maços organizados de cédulas de R$ 50 e R$ 100, além de notas em dólares e euros, coleções inteiras de relógios de grife guardadas em estojos expositores, caixas de vinhos importados e uma frota de automóveis de luxo cujos modelos excederam a capacidade do pátio da Superintendência da PF, obrigando as autoridades a estacionarem parte dos veículos na área externa da unidade.

Até o momento, a Polícia Federal não divulgou oficialmente o valor total em dinheiro recolhido, nem a quantidade exata de relógios de luxo ou garrafas de vinho confiscadas. No entanto, o balanço parcial dos itens apreendidos inclui pilhas de cédulas nacionais (R$ 50 e R$ 100) e divisas estrangeiras (dólares e euros), indicando forte circulação de recursos ocultos. Diversas coleções de relógios de grifes internacionais de alto valor de mercado, mantidas em estojos e expositores próprios, além de veículos importados e de luxo, com destaque para automóveis como modelos Audi e utilitários esportivos da Mercedes-Benz, cuja quantidade foi tão expressiva que lotou as dependências da Polícia Federal em Cuiabá. Ainda foram apreendidas caixas com rótulos de vinhos importados de alto padrão.

ENTENDA O CASO E AS INVESTIGAÇÕES
A Operação Tomada de Contas mobilizou um contingente de 180 policiais federais para cumprir ordens expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), compreendendo 6 mandados de prisão preventiva, 26 mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo bancário e telemático, além do sequestro de bens e valores dos investigados.

O inquérito apura graves suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos de servidores no TCE-MT, órgão constitucional encarregado justamente de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos em Mato Grosso.

Segundo a PF, havia indícios de que contratos administrativos do próprio tribunal eram suspensos de forma intencional para pressionar fornecedores a ceder às exigências do esquema. A investigação também revelou um fluxo atípico de saques frequentes em dinheiro vivo realizados diretamente nas dependências do tribunal, levantando suspeitas de pagamento de propinas, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Devido à operação, o expediente no prédio do TCE-MT foi suspenso e a entrada de servidores foi proibida ao longo de toda a manhã. A defesa dos investigados ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações.






