*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira, dia 27 de maio, a “Operação Tu Quoque”. A ação integrada visa desarticular um complexo e perigoso esquema de roubo de entorpecentes entre criminosos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, revelando uma aliança espúria e conexões entre duas facções criminosas rivais que atuavam na fronteira e na região metropolitana do estado.

No total, foram expedidas 15 ordens judiciais pelo Poder Judiciário, sendo quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão domiciliar, além de medidas restritivas sobre veículos e o bloqueio de contas bancárias dos envolvidos no valor de até R$ 2,5 milhões.
Entre os alvos principais da operação e apontado como um dos líderes do grupo investigado está um praça da Polícia Militar de Mato Grosso. Os mandados foram cumpridos simultaneamente nos municípios de Pontes e Lacerda e Várzea Grande.

A ofensiva contou com o apoio operacional da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).
O ESQUEMA: O “ROUBO DA DROGA” NA FRONTEIRA
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Polícia de Pontes e Lacerda, revelaram um esquema audacioso. O grupo criminoso monitorava e subtraía carregamentos e pontos de armazenamento de drogas de uma facção criminosa atuante na região de fronteira com a Bolívia. Após o roubo do entorpecente dos próprios traficantes locais, a carga era enviada e redistribuída para integrantes de outra facção na região metropolitana de Cuiabá.

Conforme a Polícia Civil, a organização funcionava dividida em dois núcleos bem definidos.
Um núcleo de inteligência local, baseado na região de fronteira, este grupo era responsável por identificar e monitorar os depósitos secretos de drogas das facções locais.
E outro núcleo de execução e logística, formado por criminosos que se deslocavam da Capital até Pontes e Lacerda exclusivamente para realizar o roubo armado da droga. Esse braço também cuidava do transporte seguro e da distribuição final do produto na região metropolitana.
COMO A POLÍCIA DESCOBRIU O BANDO
O esquema começou a ruir após a prisão em flagrante de um dos envolvidos em uma ação anterior. Na ocasião da abordagem, outros integrantes do bando conseguiram escapar da polícia, mas deixaram rastros. A partir dessa prisão, a equipe de investigação conseguiu rastrear, qualificar e identificar todos os demais membros da organização, incluindo o policial militar que exercia papel de liderança.
O grupo saía da capital, realizava o assalto contra os depósitos na fronteira, separava o entorpecente e repassava a carga para uma terceira equipe, que pulverizava a droga em Várzea Grande e Cuiabá.
LAVAGEM DE DINHEIRO, EMPRESAS DE FACHADA E BETS
Além dos crimes de roubo qualificado e tráfico de drogas, a Operação Tu Quoque colheu robustas provas de que o grupo movimentava os valores obtidos com o crime por meio de uma forte rede de lavagem de dinheiro.
Para despistar as autoridades financeiras, a organização realizava transações bancárias fracionadas envolvendo contas de familiares, depósitos em plataformas de casas de apostas online (bets) e a utilização de empresas de fachada.
Todo o material eletroeletrônico, documentos e celulares apreendidos nesta manhã passarão por perícia técnica para rastrear o destino final do dinheiro bloqueado pela Justiça.

