*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O cientista político, analista e professor doutor em filosofia Haroldo Arruda utilizou as redes sociais para rebater as declarações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia classificado como “retrocesso civilizatório” a aprovação de leis municipais e estaduais voltadas a proibir a abordagem de conteúdos de ideologia de gênero nas escolas.
Para o analista, inverter os papéis institucionais e tentar rotular como atraso a defesa da autonomia familiar representa uma subversão dos princípios democráticos e constitucionais do país.
Direcionando a fala diretamente ao magistrado da Suprema Corte, Arruda pontuou que o debate sobre a formação educacional das crianças pertence primariamente ao núcleo familiar, e não ao Estado:
“Ministro Alexandre de Moraes, proteger nossas crianças não é retrocesso não. Retrocesso é querer colocar o Estado acima da família. O ministro Alexandre de Moraes classificou como retrocesso civilizatório leis que proíbam conteúdos relacionados à chamada ‘ideologia de gênero’ nas escolas. Um absurdo. Mas eu pergunto: desde quando defender o direito dos pais de participar da educação dos seus próprios filhos virou atraso?”, ponderou.
O cientista político recorreu ao texto da Constituição Federal para fundamentar a argumentação.
“A Constituição brasileira, ela é muito clara. Os pais têm o dever de criar e educar seus filhos. Dever”, enfatizou.
O professor ponderou que a convivência em sociedade exige o respeito às diferenças, mas separou nitidamente o conceito de tolerância cívica da imposição de dogmas ideológicos em ambiente acadêmico.
“É claro que toda criança deve aprender a respeitar as diferenças. Normal. Mas ensinar respeito é uma coisa, impor convicções ideológicas em sala de aula é outra completamente diferente. A escola existe para ensinar, formar cidadãos e desenvolver conhecimento, não para substituir a família, nunca foi isso”, pontuou.
Encerrando a análise crítica, Haroldo Arruda alertou para o risco de o poder público avançar sobre liberdades individuais e convicções morais dos cidadãos, transformando direitos fundamentais em concessões do próprio Estado.
“Ministro Moraes, uma sociedade democrática precisa respeitar a liberdade de pensamento, aprenda isso, e principalmente as convicções das famílias. Porque quando o Estado começa a decidir sozinho como nossos filhos devem pensar, a liberdade deixa de ser um direito e passa a ser, sabe o quê? A depender da autorização de quem está no poder, como você”, concluiu.
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