A NASA anunciou nesta terça-feira (24) a suspensão do projeto da estação espacial Gateway, em órbita lunar, para concentrar esforços na criação de uma base na Lua. A mudança faz parte de uma reestruturação do programa Artemis e prevê investimentos estimados em US$ 20 bilhões ao longo dos próximos sete anos.
Mudanças no programa Artemis
Durante o evento “Ignition”, realizado na sede da agência em Washington, o administrador Jared Isaacman explicou que a decisão busca fortalecer a infraestrutura necessária para operações prolongadas na superfície lunar.
O projeto Gateway havia sido concebido como uma estação espacial de apoio em órbita da Lua, funcionando como ponto de transição para astronautas e como centro de pesquisas científicas. A iniciativa envolvia a participação de diversas agências internacionais, incluindo a Agência Espacial Europeia, a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão e a Agência Espacial Canadense.
Apesar da suspensão, a NASA informou que pretende reaproveitar componentes já produzidos por empresas como Northrop Grumman e Maxar Technologies, adaptando-os à nova estratégia voltada para a superfície lunar.
Outra alteração relevante envolve o cronograma das missões. A missão Artemis III, inicialmente planejada como o primeiro pouso tripulado na Lua, foi redefinida como um teste em órbita terrestre previsto para 2027. Já o primeiro pouso com astronautas foi transferido para a missão Artemis IV, prevista para 2028.
Base na Lua será construída em fases
A nova estratégia da NASA prevê a construção da base na Lua em três etapas principais, com foco na criação de uma presença humana contínua no satélite natural.
Primeira fase: testes robóticos
Na etapa inicial, a agência realizará missões robóticas frequentes para validar tecnologias essenciais, como sistemas de mobilidade, geração de energia e comunicação. Esses testes serão fundamentais para viabilizar a operação da futura base na Lua.
Segunda fase: infraestrutura habitável
A segunda fase incluirá a instalação de estruturas semi-habitáveis e o início de operações regulares com astronautas. Entre os destaques está o uso de um rover pressurizado desenvolvido pela JAXA, que permitirá maior autonomia nas explorações.
Terceira fase: expansão da base
Na etapa final, sistemas de pouso com maior capacidade de carga serão utilizados para transportar estruturas mais robustas. Estão previstos módulos habitacionais da Agência Espacial Italiana e um veículo utilitário desenvolvido pelo Canadá, consolidando a presença permanente na base na Lua.
Contexto político e nova corrida espacial
A decisão da NASA está alinhada a uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em dezembro de 2025. O documento estabelece metas ambiciosas, como o retorno de astronautas à Lua até 2028 e a implementação dos primeiros elementos de uma base permanente até 2030, incluindo o uso de reatores nucleares na superfície lunar.
A proposta orçamentária para 2026 já indicava a intenção de cancelar o Gateway, embora o Senado tenha mantido o financiamento naquele momento. Com a reformulação atual, a estratégia da agência passa a priorizar diretamente a construção da base na Lua.
Além disso, a NASA informou que, após a missão Artemis V, prevista para o fim de 2028, deverá adotar tecnologias comerciais reutilizáveis. A expectativa é realizar pousos lunares com maior frequência, chegando a uma missão a cada seis meses.

