O governo federal anunciou um novo subsídio de R$ 0,44 por litro para a gasolina, em meio à alta internacional do petróleo causada pelas incertezas envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã. Além da medida voltada ao combustível, também foi criado um modelo de compensação para o diesel por meio de cashback equivalente a impostos, estimado em R$ 0,35 por litro.
As medidas passam a substituir a atual desoneração do PIS/Cofins, que perderá validade no fim de maio. O cenário ocorre em um momento de forte pressão nos preços internacionais do petróleo, impactando diretamente a política de preços da Petrobras e o mercado de combustíveis no Brasil.
Subsídio para gasolina tenta conter impacto do petróleo
Com o barril de petróleo em níveis elevados no mercado internacional, o governo busca reduzir os impactos ao consumidor final por meio dos novos incentivos fiscais. A iniciativa para a gasolina prevê um subsídio direto de R$ 0,44 por litro, enquanto o diesel terá um mecanismo diferente, baseado em devolução equivalente aos impostos incidentes sobre o combustível.
A estratégia surge diante da volatilidade provocada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O aumento das incertezas relacionadas ao conflito entre EUA e Irã elevou os preços do petróleo e pressionou os custos dos combustíveis em diversos países.
Segundo avaliações do mercado financeiro, as mudanças podem amenizar parte da pressão no curto prazo, mas ainda não eliminam completamente a defasagem observada nos preços praticados pela Petrobras.
Bancos apontam defasagem nos preços da gasolina
Na análise do Itaú BBA, o diesel estaria mais próximo dos parâmetros da política comercial da estatal após a implementação dos subsídios. O banco considera que, levando em conta o novo modelo de compensação, o preço efetivamente praticado pela Petrobras para o diesel ficou alinhado à referência ajustada da paridade de importação.
No caso da gasolina, entretanto, o cenário é diferente. Mesmo com o benefício anunciado pelo governo, a instituição financeira calcula que os preços da Petrobras ainda permanecem mais de 20% abaixo da referência de mercado.
Petrobras pode enfrentar pressão por reajustes
Diante desse cenário, o Itaú BBA avalia que a Petrobras poderá precisar realizar novos reajustes para alinhar os preços da gasolina à estratégia comercial adotada pela companhia.
Ainda assim, o banco ressalta que a estatal pode utilizar critérios diferentes daqueles considerados nas projeções do mercado para definir sua política de preços, o que pode alterar o ritmo ou a intensidade de eventuais aumentos.
Mercado acompanha impacto da política de preços
Outra instituição financeira que analisou o cenário foi o Bradesco BBI. De acordo com o banco, o preço implícito da gasolina comercializada pela Petrobras subiria para aproximadamente US$ 95 por barril após os novos subsídios.
Mesmo assim, o valor continuaria abaixo da referência do Golfo dos Estados Unidos, estimada em cerca de US$ 142 por barril. A diferença mantém a percepção de que os preços domésticos ainda operam abaixo do mercado internacional.
Projeto sobre PIS/Cofins pode influenciar combustíveis
O Bradesco BBI também destacou que um eventual avanço do projeto de redução do PIS/Cofins sobre a gasolina poderia abrir espaço para novos ajustes promovidos pela Petrobras sem impacto tão significativo ao consumidor final.
A discussão tributária segue sendo acompanhada por agentes do mercado, especialmente em um momento de instabilidade internacional e aumento das cotações do petróleo.

