A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o INSS ganhou destaque nesta quinta-feira (23/4), após o ministro André Mendonça determinar a prisão domiciliar do advogado Eric Fidelis, investigado em um esquema relacionado à autarquia. A medida foi fundamentada em questões humanitárias, diante do estado de saúde da esposa do investigado.
INSS: decisão do STF considera situação familiar
De acordo com a decisão judicial, o ministro levou em conta documentos apresentados pela defesa que indicam que a esposa de Eric Fidelis deu à luz recentemente e, em seguida, enfrentou complicações graves de saúde. Após o parto do segundo filho do casal, ocorrido no dia 19 de abril, ela sofreu uma hemorragia e precisou ser internada.
Embora não tenha sido comprovada dependência exclusiva, o magistrado avaliou que a substituição da prisão preventiva por domiciliar seria proporcional e adequada diante do cenário familiar. O fato de o casal ter também uma filha de sete anos foi citado como elemento relevante para a decisão.
Condições impostas pela Justiça
Apesar da concessão do benefício, o ministro determinou uma série de medidas cautelares. Entre elas, estão a entrega dos passaportes à Polícia Federal em até 24 horas, o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros investigados na operação.
Essas restrições foram justificadas com base na gravidade dos fatos apurados, que envolvem suspeitas de desvio de recursos públicos e privados. Segundo a decisão, há risco de tentativa de fuga do país com valores obtidos de forma ilícita.
Investigações apontam esquema ligado ao INSS
Eric Fidelis é filho de André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS, que ocupou o cargo até julho de 2024. Ele também foi preso no âmbito das investigações que apuram fraudes em descontos associativos realizados na folha de pagamentos da autarquia.
A diretoria comandada por André Fidelis era responsável pela gestão desses descontos e pela administração dos pagamentos do INSS. As apurações indicam que o esquema teria causado prejuízos significativos.
Suposta ligação com operador do esquema
Segundo informações da Polícia Federal, Eric Fidelis teria recebido valores de Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como figura central no esquema de corrupção. Os repasses seriam, possivelmente, vantagens indevidas relacionadas ao exercício de função pública.
Contexto político e exoneração
André Fidelis foi exonerado do cargo após suspeitas de que estaria atrasando auditorias sobre os descontos associativos no INSS. A informação foi divulgada pelo então ministro da Previdência, Carlos Lupi. Ainda conforme as investigações, Fidelis teria ligação com a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade citada entre as associações envolvidas no caso analisado pelas autoridades.
Defesa e andamento do caso
A defesa de Eric Fidelis afirmou que a decisão do STF atende aos requisitos legais para a concessão da prisão domiciliar. Sobre possíveis negociações de delação premiada, não houve confirmação oficial. Já André Fidelis permanece preso, enquanto as investigações continuam em andamento para apurar a extensão do esquema e eventuais responsabilidades.

