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Leia: Endividamento das famílias atinge 81,6%; maior nível desde 2015
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11 de junho de 2026 15:43

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OpiniãoMT > Blog > Governo Lula > Endividamento das famílias atinge 81,6%; maior nível desde 2015
Governo Lula

Endividamento das famílias atinge 81,6%; maior nível desde 2015

Endividamento das famílias brasileiras alcança recorde histórico em maio, impulsionado principalmente pelo uso do cartão de crédito.

última atualização: 11 de junho de 2026 14:36
Redação OPMT
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6 Minutos de Leitura
Endividamento das famílias atinge 81,6%; maior nível desde 2015
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O endividamento das famílias brasileiras alcançou um novo recorde em maio, atingindo 81,6% dos lares do país. O índice é o mais alto já registrado desde o início do levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em 2015. Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quarta-feira (10), e refletem o aumento dos compromissos financeiros assumidos pelos consumidores.

O levantamento considera famílias que possuem dívidas a vencer, independentemente de estarem em atraso ou não. Entre os compromissos contabilizados estão parcelas de financiamentos imobiliários e de veículos, empréstimos pessoais, crédito consignado, cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas e outras modalidades de crédito.

Endividamento das famílias alcança novo recorde

O percentual registrado em maio evidencia uma tendência de crescimento observada nos últimos meses. Segundo a CNC, mais de oito em cada dez famílias brasileiras possuem algum tipo de obrigação financeira em aberto, o que demonstra a forte dependência do crédito para manter o consumo e equilibrar o orçamento doméstico.

Especialistas acompanham com atenção esse avanço porque, embora o endividamento não represente necessariamente inadimplência, ele pode indicar maior vulnerabilidade financeira, principalmente em cenários de juros elevados e desaceleração econômica.

A pesquisa aponta ainda que o aumento do comprometimento da renda ocorre em diferentes faixas sociais, embora os impactos sejam mais sentidos pelas famílias com menor poder de compra, que possuem menos margem para absorver despesas inesperadas ou atrasos nos pagamentos.

Cartão de crédito segue como principal fonte de dívida

Entre as modalidades de crédito utilizadas pelos brasileiros, o cartão de crédito continua liderando com ampla vantagem. De acordo com os dados da CNC, ele está presente em 84,6% das famílias endividadas.

Na sequência aparecem os carnês de lojas, responsáveis por 16,1% dos registros, enquanto os empréstimos pessoais representam 13,1% do total. Outras modalidades, como cheque especial, financiamentos e crédito consignado, também fazem parte da composição das dívidas dos consumidores.

Juros elevados preocupam especialistas

A CNC destacou que o protagonismo do cartão de crédito merece atenção especial devido ao elevado custo financeiro dessa modalidade. O crédito rotativo, utilizado quando o consumidor não consegue pagar o valor total da fatura, continua entre as linhas de crédito mais caras do mercado brasileiro.

Segundo a entidade, a taxa média anual do crédito rotativo ultrapassa os 428%, o que pode acelerar o crescimento das dívidas quando há atrasos ou pagamento parcial das faturas.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, ressaltou que a alta dos juros afeta principalmente os consumidores de menor renda. Para ele, o acesso a mecanismos de renegociação é fundamental para permitir que essas famílias reorganizem suas finanças e retomem sua capacidade de consumo.

Governo amplia medidas para reduzir o endividamento das famílias

Diante do avanço do endividamento, o governo federal anunciou novas iniciativas voltadas à renegociação de débitos. Entre elas está o programa Desenrola 2.0, lançado no início de maio com o objetivo de facilitar a regularização de pendências financeiras acumuladas pelos brasileiros.

A iniciativa contempla dívidas contratadas até janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos. O programa inclui débitos relacionados ao cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.

Como funciona o Desenrola 2.0

O programa oferece descontos que variam entre 30% e 90% sobre o valor principal das dívidas, dependendo das condições de negociação. Além disso, estabelece um teto para os juros cobrados, limitado a 1,99% ao mês.

Outra medida prevista permite que trabalhadores com renda mensal de até cinco salários mínimos utilizem até 20% do saldo disponível no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar ou renegociar débitos.

A expectativa do governo é que a iniciativa contribua para reduzir o peso das dívidas sobre o orçamento das famílias, além de estimular a recuperação do consumo e melhorar as condições financeiras de milhões de brasileiros.

Cenário exige atenção ao planejamento financeiro

Embora o acesso ao crédito seja importante para movimentar a economia e permitir a realização de projetos pessoais, especialistas alertam para a necessidade de planejamento financeiro. O crescimento contínuo dos índices de endividamento demonstra que uma parcela significativa da população está cada vez mais dependente de financiamentos e parcelamentos para manter suas despesas em dia.

A combinação de juros elevados, inflação acumulada e renda comprometida pode dificultar o equilíbrio financeiro de muitas famílias, especialmente quando ocorrem imprevistos ou perda de renda.

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