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Leia: Médicos de Cuiabá são condenados por esquema de furar fila de cirurgias do SUS
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21 de outubro de 2026 19:49

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OpiniãoMT > Blog > Justiça > Médicos de Cuiabá são condenados por esquema de furar fila de cirurgias do SUS
Justiça

Médicos de Cuiabá são condenados por esquema de furar fila de cirurgias do SUS

Dois médicos de Cuiabá foram condenados a 6 anos de prisão por corrupção passiva em esquema de "furar a fila" do SUS para cirurgias ortopédicas entre 2009 e 2010.

Redação OPMT
Publicado em: 2 de maio de 2024
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4 Minutos de Leitura
Médicos de Cuiabá são condenados por esquema de furar fila de cirurgias do SUS
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Em uma decisão histórica, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra da 7ª Vara Criminal da Capital condenou dois médicos de Cuiabá a 6 anos de prisão em regime fechado por corrupção passiva. Entre os anos de 2009 e 2010, enquanto atuavam no antigo Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, os médicos participavam de um esquema de pagamento de propina para que pacientes “furassem a fila” do SUS para cirurgias ortopédicas.

A decisão da justiça

A decisão, proferida em 30 de abril de 2024, representa um duro golpe contra a corrupção no sistema de saúde pública e serve como um lembrete de que ninguém está acima da lei. 

Além dos médicos, outros dois indivíduos também foram condenados por envolvimento no esquema: Josué Pinto da Silva (“Bolívia”) e Wlamir Benedito Soares (“Paulinho”), que atuavam como gesseiros na unidade de saúde e eram os principais operadores do esquema. Eles foram condenados a 18 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e peculato.

O esquema funcionava da seguinte maneira: os gesseiros negociavam a propina com os pacientes que desejavam “furar a fila” para cirurgias ortopédicas. Os valores variavam de acordo com o paciente e o tipo de procedimento, podendo chegar até R$ 1,7 mil. Após receber a propina, os gesseiros repassavam o dinheiro aos médicos, que então agilizavam o processo de agendamento das cirurgias.

Para despistar a fraude, os médicos apelidaram o esquema de “Esqueminha da Guia”. Procedimentos como fraturas nos membros inferiores, retirada de “pedra nos rins” e exames como tomografia eram os “pedidos” mais comuns.

Além dos médicos e gesseiros, outro réu, Jairo Calamir da Cruz, funcionário de um hospital particular conveniado ao SUS onde as cirurgias eram realizadas, foi condenado a 8 anos e 11 meses de prisão. Já Dioge Farias Sodré foi absolvido por falta de provas, enquanto a servidora Rosângela Aparecida do Espírito Santo teve seu processo prescrito e a punibilidade extinta.

Motivação da pena em regime fechado

Na decisão, o juiz Jean Garcia Bezerra explica que, apesar da pena dos médicos ser inferior a 8 anos – o que normalmente implicaria no regime semiaberto –, ele optou pelo regime fechado devido à gravidade das circunstâncias do crime.

“Fixo o regime fechado para o início de cumprimento de pena, porquanto, a despeito da pena não superar 08 anos, foram valoradas negativamente duas circunstâncias judiciais do crime”, explica o magistrado.

Em depoimento, a servidora Rosângela Aparecida do Espírito Santo revelou que os médicos “controlavam” a fila de cirurgias e que a prática era “comum”. Segundo ela, os médicos “escolhiam e marcavam quem eles queriam” sem qualquer justificativa, e que ela “apenas obedecia ao comando dos médicos” por medo de represálias.

A condenação dos médicos, gesseiros e funcionários do hospital é um passo importante na luta contra a corrupção no sistema de saúde pública. O caso serve como um lembrete de que ninguém está acima da lei e que a justiça será feita, mesmo que demore.

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