*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O clima esquentou nos bastidores do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso. O deputado federal e pré-candidato ao Senado, José Medeiros, subiu o tom nas redes sociais para defender que a prioridade da sigla deve ser a eleição para o Senado Federal, conforme orientação que teria sido deixada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A fala seria uma resposta direta à “ironia” do presidente estadual da sigla, Ananias Filho, que afirmou que Medeiros “não é a única bolachinha do pacote”.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Medeiros afirmou que, antes de sua atual situação de prisão domiciliar e isolamento, Jair Bolsonaro foi enfático sobre a estratégia para 2026, que é fortalecer o Senado para garantir governabilidade e equilíbrio institucional.
“Ele disse: ‘vou priorizar a eleição do Senado, não quero saber de governador’. E aí, o que aconteceu? Bolsonaro preso, perdeu a comunicação, e a história mudou de figura. Passou a ser prioridade governador e Bolsonaro ficou para as calendas”, disparou o deputado.
Medeiros comparou a resistência que enfrenta em Mato Grosso ao que ocorre em Santa Catarina com Carlos Bolsonaro, afirmando que forças internas tentam destruir candidaturas de confiança do ex-presidente.
“É como cupim roendo todo dia”, alfinetou.
ENTENDA O CASO
O presidente do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso, Ananias Filho, subiu o tom para responder às recentes cobranças do deputado federal e pré-candidato ao Senado, José Medeiros.
O embate evidencia uma suposta divisão sobre as prioridades da sigla para as eleições de 2026 e a relação com o grupo do senador Wellington Fagundes.
A faísca que acendeu a crise foi a defesa de Medeiros de que o PL deveria concentrar seus esforços e recursos exclusivamente em sua candidatura ao Senado, sugerindo inclusive que Wellington Fagundes abra mão da disputa ao Governo para cumprir seu mandato atual.
Ananias Filho não poupou ironia ao delimitar o espaço de Medeiros dentro da sigla.
“Há uma diferença de falar entre preferencial e exclusividade. Preferencial é uma coisa, exclusividade é outra. Ele não tem o caráter de exclusividade e não é a única bolachinha do pacote. O senador Medeiros tem que focar que existe o ‘preferencial’, mas não existe a ‘exclusividade’”, disparou o dirigente.
Ananias ainda justificou que um partido da magnitude do PL não pode se tornar refém de um projeto único, citando que a legenda precisa focar em candidaturas à Presidência, Governos estaduais e nas bancadas de deputados federais e estaduais para manter sua força nacional.
DESGASTE
A relação entre o chefe do diretório e o pré-candidato ao Senado é considerada “desgastada” nos bastidores. O principal ponto de fricção é a recusa de Medeiros em apoiar a pré-candidatura de Wellington Fagundes ao Governo de Mato Grosso.
Medeiros vê com desconfiança a proximidade de Wellington com o MDB, temendo que essa aliança abra caminho para a deputada Janaina Riva, que é nora de Wellington, entrar na chapa bolsonarista.
Apesar de Ananias Filho negar publicamente qualquer desentendimento grave, rumores de uma discussão acalorada na sede do PL Nacional ganharam força. O estopim teria sido o anúncio feito por Medeiros sobre a vinda de Flávio Bolsonaro a Mato Grosso, sem citar ou coordenar a agenda com o grupo de Wellington Fagundes.
VEJA VÍDEO
Ver essa foto no Instagram

