Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participou de uma viagem internacional de alto padrão em janeiro de 2025 que teria sido custeada pela lobista Roberta Luchsinger. Segundo informações atribuídas à Polícia Federal e divulgadas pelo jornal O Globo, um orçamento localizado no celular de Roberta aponta despesas de R$ 1.868.179,66 para o roteiro realizado pela Escandinávia e pela Suíça.
O documento apreendido pelos investigadores detalha serviços contratados para o grupo, incluindo transporte aéreo, hospedagens de luxo, chef particular, mordomo e atividades relacionadas à prática de esqui. Considerando o número de participantes, o orçamento representaria aproximadamente R$ 266,8 mil por pessoa.
Lulinha e família participaram de roteiro pela Europa
A viagem ocorreu em janeiro de 2025 e reuniu Lulinha, sua esposa, Renata Abreu Moreira, os filhos e familiares de Roberta Luchsinger. O roteiro passou por países do norte europeu e também pela Suíça.
Entre os destinos previstos estavam a Suécia e a Finlândia, onde o grupo acompanhou o fenômeno da aurora boreal. Posteriormente, a programação incluiu a Suíça, com hospedagem e atividades nos Alpes.
Segundo o material localizado pela PF, o planejamento foi feito com participação de Marina Mantega, filha do ex-ministro Guido Mantega e profissional ligada ao segmento de turismo de alto padrão.
Serviços incluíam transporte e hospedagem de alto padrão
O orçamento analisado pelos investigadores previa diferentes serviços destinados aos integrantes da viagem. Entre eles estavam profissionais responsáveis pela preparação de refeições e pelo atendimento durante a estadia.
Também houve contratação de transporte aéreo privado durante o percurso. Em janeiro de 2025, Roberta teria solicitado à agência responsável pela organização do roteiro o fretamento de uma aeronave para o deslocamento entre a Suíça e Estocolmo.
Além dos serviços incluídos inicialmente no orçamento, o fretamento do jatinho representou uma despesa adicional estimada em R$ 220,8 mil, fazendo com que o custo total do roteiro pudesse superar R$ 2 milhões.
Investigação da PF envolve relação entre Lulinha e Roberta
A viagem aparece entre os elementos reunidos em um inquérito sigiloso que investiga a relação de Lulinha com Roberta Luchsinger. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro Flávio Dino.
A Polícia Federal apura, entre outros pontos, se a proximidade entre os dois teria sido utilizada para defender interesses empresariais. Entre os assuntos analisados estão negócios relacionados à empresa Unigel e iniciativas envolvendo o setor de canabidiol.
A investigação também examina relações de Roberta com pessoas que ocupavam cargos próximos ao governo federal. Segundo reportagens baseadas nos documentos da apuração, a lobista teria arcado com despesas relacionadas a hospedagens e eventos envolvendo integrantes ou pessoas ligadas à estrutura do governo.
Essas informações fazem parte de uma investigação em andamento e, portanto, não representam uma conclusão judicial sobre eventual prática criminosa por parte dos envolvidos.
Relação pessoal também aparece nos documentos
Mensagens atribuídas a Roberta e Lulinha estão entre os materiais analisados pelos investigadores. Os dois mantinham uma relação de proximidade e também teriam realizado outras viagens juntos.
Levantamentos anteriores publicados pelo Poder360 apontaram que a Polícia Federal identificou pelo menos seis viagens realizadas por Roberta e Lulinha em 2024 e 2025 nas quais as reservas aéreas dos dois apareciam vinculadas ao mesmo código localizador.
As informações sobre a viagem de janeiro de 2025 já haviam sido divulgadas anteriormente, incluindo relatos de que Roberta teria assumido despesas do roteiro realizado por Lulinha e seus familiares na Noruega e na Finlândia.
Defesa de Lulinha nega irregularidades
A defesa de Fábio Luís da Silva afirma que Lulinha não cometeu crime e que ele está disposto a prestar esclarecimentos às autoridades caso seja formalmente necessário.
Os advogados também questionaram a divulgação de informações provenientes da investigação e afirmaram que dados apresentados de forma isolada poderiam gerar interpretações equivocadas sobre os fatos.
A defesa sustenta, portanto, que não há fundamento para atribuir ao empresário uma prática criminosa com base nas informações divulgadas até o momento.
O advogado de Roberta Luchsinger, Roberto Podval, foi procurado para comentar as informações relacionadas à investigação, mas, segundo a reportagem que divulgou os dados, não respondeu aos questionamentos.

