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Leia: Lucas do Rio Verde inova com projeto municipal que vai ofertar carne ovina na merenda; Cattani busca estender consumo para todo estado
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3 de agosto de 2026 16:45

OpiniãoMT > Blog > Gilberto Cattani > Lucas do Rio Verde inova com projeto municipal que vai ofertar carne ovina na merenda; Cattani busca estender consumo para todo estado
Gilberto CattaniMato Grosso

Lucas do Rio Verde inova com projeto municipal que vai ofertar carne ovina na merenda; Cattani busca estender consumo para todo estado

Jornalista Mauad
Publicado em: 3 de agosto de 2026
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13 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

A partir deste segundo semestre, os estudantes da rede municipal de ensino de Lucas do Rio Verde passam a contar com uma opção inédita no cardápio escolar: a carne ovina. Fruto de uma articulação iniciada pelo vereador Márcio Albieri na Câmara Municipal, a medida busca aliar a diversificação da alimentação escolar à valorização da agricultura familiar e da ovinocultura regional. Em paralelo, a iniciativa ganha fôlego em âmbito estadual através do Projeto de Lei nº 376/2026, apresentado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) pelo deputado estadual Gilberto Cattani, com o objetivo de estender a proposta para toda a rede pública de ensino do estado.

A PROPOSTA DE GILBERTO CATTANI EM ÂMBITO ESTADUAL

O projeto encabeçado por Cattani tem como principais pilares o incentivo à agricultura familiar, o fomento à ovinocultura regional e a garantia da segurança alimentar dos estudantes matriculados nas escolas públicas do estado. O parlamentar ressalta os benefícios diretos tanto para os alunos quanto para os produtores.

“O projeto é magnífico e ele tem que ser defendido justamente pelo que a carne de ovino representa. Primeiro, que é uma das carnes mais saudáveis que existem, com pouco colesterol, com muitas proteínas diferenciadas e uma carne extremamente saudável. Com pouco teor de gordura e muito saborosa. É uma das melhores carnes que existem. Então, esse é um dos benefícios para os estudantes. E para os pequenos produtores, isso representa muito na economia, porque aonde você consegue colocar um bovino, você consegue colocar 20 ovinos. Então, a lucratividade aumenta muito, com muito menos manejo necessário. E com muito mais rendimento. É uma excelente opção para pequenas propriedades”.

Cattani também aponta os gargalos históricos que o setor enfrentava e como a nova frente legislativa pretende estruturar o mercado mato-grossense.

“Então, nós temos inclusive a frente parlamentar da ovinocaprinocultura no estado de Mato Grosso dentro da Assembleia Legislativa que é para gente fomentar essa cadeia. Nós temos frigoríficos de forma pequena ainda, bem modesta, como é o frigorífico lá de Lucas, mas nós precisamos fomentar essa cadeia para que o pequeno produtor se interesse novamente pela ovinocaprinocultura no estado. Nós temos visto no nosso estado que muitas pessoas, inclusive fazendeiros grandes, não só o pequeno produtor, começou com a criação de ovinos, mas como não tinha a comercialização final, ou seja, não tinha frigoríficos para abate no estado, aí se tornava difícil a comercialização. E a pessoa acabava dando ovelha para quermesse, para as festas de igreja, para os vizinhos, e não via lucro nenhum nisso, pelo contrário, tinha prejuízo. Então, ele acabava com a produção. Isso prejudicou muito o estado de Mato Grosso na questão da produção de carne de ovino. Mas com a chegada dos abatedouros, dos frigoríficos e do comércio, isso tende a voltar. Está voltando ainda de forma modesta no estado, mas está numa crescente gigantesca, e nós temos certeza que através da frente parlamentar vamos construir políticas públicas para fomentar essa produção no estado. E aí sim, manter a regularidade da entrega dessa preciosa carne”.

Reforçando a engrenagem econômica do projeto, o deputado conclui.

“Bom, a gente uma vez tendo os abatedouros e tendo a sanidade animal, e tendo todo o o processo ali sanitário necessário para que essa merenda escolar receba a carne de ovinos, com esse ponto sanado, obviamente, o consumo dessa carne quando colocado na merenda escolar vai aumentar e a procura pelos animais vai aumentar também. Os frigoríficos começam a procurar esses animais, a incentivar também os produtores a produzirem cada vez mais, e os produtores começam a ter lucro, o que faz com que eles produzam cada vez mais. Então, isso é uma cadeia magnífica, uma iniciativa maravilhosa que vai fazer com que esses pequenos produtores, principalmente os pequenos, possam ter uma lucratividade, um ganho exponencial na propriedade para poderem se manter na propriedade e, obviamente, melhorarem sua condição de vida através da ovinocultura pela cultura”.

O projeto encabeçado por Cattani encontra-se atualmente nas comissões da Assembleia Legislativa para ser analisado e, posteriormente, seguir para votação em plenário. A proposta prevê justamente colocar a carne de ovinos na merenda escolar, assim como o deputado já viabilizou anteriormente para a inserção do leite in natura e do queijo na alimentação da rede pública.

A expansão da pauta em nível estadual encontra respaldo direto na estrutura produtiva que vem se consolidando no interior mato-grossense. O empresário Bruno Lino da Cruz, sócio-proprietário da Frigovino, primeiro frigorífico de cordeiro legalizado do estado, destacou a viabilidade da proposta.

“O frigorífico possui hoje capacidade para abate de 80 animais por dia, podendo ser ampliado a qualquer momento. E o estado já existe o projeto de lei, indicação pelo deputado Gilberto Cattani, e que visa atender todas as escolas do estado”.

CAPACITAÇÃO E CUIDADO TÉCNICO COM O PALADAR INFANTIL

Para garantir o sucesso da inserção da nova proteína sem gerar rejeição, a Secretaria Municipal de Educação de Lucas do Rio Verde, promoveu em julho um treinamento prático com merendeiras de 24 escolas da rede. As profissionais atualizaram técnicas, trocaram experiências e testaram pratos adaptados ao paladar infantil, como cordeiro com legumes e ragu de ovino.

Foto: Reprodução

A nutricionista da rede municipal, Viviane da Cruz Lima, explicou os diferenciais nutricionais do alimento e os cuidados operacionais tomados pela gestão.

“É uma proteína de alto valor biológico como as outras proteínas. O nosso diferencial com a carne ovina é a diversidade alimentar. A gente quer trabalhar com essa carne ovina na merenda para mostrar pras crianças que é uma diversidade dentro da parte das carnes. Ela é uma carne mais magra, com menor teor de gordura saturada. Então, assim, isso favorece também a carne ovina, porém ela tem seu sabor peculiar”.

Foto: Reprodução

Viviane ressaltou que a execução seguiu rigorosamente critérios metodológicos para evitar falsas impressões sobre o prato.

“Quando se aplicam preparos novos na merenda escolar, se não for muito bem treinado, pode ter uma falsa rejeição. Então, quando a gente introduz um preparo novo, ele precisa ser muito bem escolhido e esses preparos precisam ser muito bem treinados, porque se não é feito da forma que ele foi idealizado para ser colocado no preparo da merenda escolar, pode ter essa falsa aceitação. A gente já vai vir aqui do frigorífico ovino com a carne manipulada em tirinhas, em isquinhas de carne, para que a gente não precise manipular, em peças inteiras, e garantir sim a segurança alimentar”.

INTEGRAÇÃO ENTRE PASTAS E IMPACTO ORÇAMENTÁRIO

A implementação do projeto exigiu um esforço conjunto entre a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente. O titular da pasta de Agricultura, Felipe Palis, destacou a relevância histórica do momento para o município.

“Eu enxergo com muito bons olhos esse processo da gente ter conseguido iniciar a introdução da carne do ovino na merenda escolar. Foi um trabalho a quatro mãos, de forma bastante integrada entre as secretarias, entre os departamentos. É mais uma diversificação de alimentação na merenda escolar para os nossos alunos, uma carne de qualidade, mas sobretudo para a agricultura familiar, isso é um momento histórico”.

Palis também pontuou o impacto no fortalecimento de toda a cadeia produtiva local.

“A ovinocultura, a gente sabe que é uma atividade também desenvolvida pelo agricultor familiar, e agora com a entrada dessa proteína na merenda escolar, isso fortalece a cadeia. Nós temos hoje um abatedouro aqui no município, que inclusive está apto para comercializar nos 16 municípios que fazem parte do consórcio”.

Do ponto de vista financeiro, a secretária municipal de Educação, Elaine Lovatel, garantiu que o planejamento orçamentário foi rigorosamente calculado para absorver a novidade sem comprometer os recursos do programa.

“A diferença no custo por quilo entre a carne ovina e o acém, que é a proteína mais utilizada nas preparações da merenda escolar, é de aproximadamente R$ 14. No entanto, como a proposta é cumprir os princípios do PNAE e promover a educação alimentar dos estudantes, oferecendo uma maior diversidade de proteínas, a carne ovina será servida em uma quantidade significativamente menor do que a carne bovina durante o semestre. Dessa forma, graças ao planejamento da Secretaria, a inclusão dessa proteína no cardápio não trará impactos significativos ao orçamento”.

Elaine reforçou ainda os principais objetivos do monitoramento pedagógico e alimentar.

“O principal indicador que vamos acompanhar é, sem dúvida, a aceitabilidade dos estudantes, conforme os critérios estabelecidos pelo PNAE. Queremos saber se essa nova proteína agrada aos alunos, porque uma alimentação escolar de qualidade só cumpre o seu papel quando é bem aceita e consumida. Também vamos avaliar a regularidade do fornecimento e a qualidade do produto”.

A VISÃO DA INDÚSTRIA E A PERSPECTIVA DE EXPANSÃO ESTADUAL

O fornecimento do produto para a rede municipal é realizado pela Frigovino, apontada como o primeiro frigorífico de cordeiro legalizado do estado de Mato Grosso e especializado em cortes premium. O sócio-proprietário da empresa, Bruno Lino da Cruz, detalhou a logística e a capacidade de atendimento.

Foto: Reprodução

“A carne de ovino vai ser fornecida a partir de agora do segundo semestre, já foi fornecido o lote de teste. O volume de produção nosso é de média de 6.000 kg por mês. O volume de entrega para esse primeiro semestre de avaliação da aceitação vai ser de 600 kg o semestre, ampliando para o ano que vem para todas as escolas onde vão ser servidas 16.000 refeições por dia, atendendo dois dias no mês, então seriam 32.000 refeições”.

Sobre a viabilidade econômica e a qualidade da carne ofertada às crianças, Bruno rebateu estigmas antigos do mercado.

“O frigorífico possui hoje capacidade para abate de 80 animais por dia, podendo ser ampliado a qualquer momento. A questão do sabor e identidade da proteína ovina se caracteriza muito mais pela gordura do animal do que propriamente pela idade. Porém a Frigovino trabalha com animais até um ano de vida, com cortes selecionados, mais magros, visando uma palatabilidade melhor para as crianças, uma carne mais macia”.

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