*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Justiça de Mato Grosso recebeu formalmente a denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra Marcos Pereira Soares. Com a decisão, ele se torna réu pelos crimes de feminicídio qualificado, sequestro qualificado, tortura e ocultação de cadáver da própria irmã, a adolescente E. P. S., de 17 anos.
A peça acusatória é assinada pelo promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, da 27ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá. O documento aponta requisições contundentes e revela uma grave falha do sistema prisional que antecedeu a tragédia.
FALHA NO SISTEMA E SUSPEITA DE CÚMPLICES
Um dos pontos mais alarmantes destacados pelo Ministério Público é que Marcos Pereira Soares havia sido liberado da penitenciária poucos dias antes do crime devido a um erro no sistema judicial, onde cumpria pena por outros delitos.
Além disso, o promotor de Justiça ressaltou que há fortes indícios da participação de terceiras pessoas no crime. A denúncia poderá sofrer aditamento nas próximas semanas para a inclusão do crime de estupro de vulnerável, a depender da conclusão dos exames periciais que estão sendo conduzidos pela Politec.
O MPE também requereu que seja fixada uma indenização mínima em favor da família da vítima no valor de 40 salários mínimos a título de reparação por danos morais e materiais.
O CRIME: EMBOSCADA, CÁRCERE E TORTURA
O crime que chocou a capital ocorreu em março deste ano. De acordo com as investigações, na manhã do dia 10 de março, Marcos mudou-se com a companheira dele de uma residência no bairro Três Barras para um novo imóvel no bairro Tancredo Neves, contando com o auxílio da vítima e de um outro irmão.
Após a mudança, Marcos insistiu em levar esse outro irmão de volta ao bairro de origem. Depois de passar pela casa da adolescente e, posteriormente, retornar à residência do familiar, ele alegou ter compromissos ao longo do dia após receber uma ligação da companheira.
Na sequência, o acusado foi até a casa da irmã de 17 anos e a convidou para visitar a mãe deles. O companheiro da jovem hesitou em autorizar a saída, mas acabou sendo ameaçado por Marcos. A adolescente, então, saiu com o irmão acreditando no pretexto da visita familiar.
Em vez disso, ela foi levada para o antigo imóvel dele, no bairro Três Barras, onde foi mantida em cárcere privado, severamente torturada e, por fim, assassinada de forma cruel.
Na noite do dia 11 de março, o corpo da adolescente foi encontrado sem vida no leito do Córrego Vassoura, localizado nos fundos do antigo imóvel do réu.
A vítima estava com as mãos e os pés amarrados a uma raiz de árvore dentro d’água, e uma pedra grande foi posicionada propositalmente em suas costas para impedir que o corpo flutuasse e fosse descoberto.
Ainda na noite do dia 11 de março, uma equipe da Polícia Militar localizou Marcos Pereira Soares andando a pé nas proximidades de uma papelaria na Avenida Brasil, no bairro CPA II.
Ele foi detido e conduzido à Delegacia Especializada de Homícidios e Proteção à Pessoa (DHPP). Na ocasião, o acusado negou a autoria do crime.

