*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O presidente da Associação Mato-Grossense dos Profissionais da Educação (AMPE-MT), Fábio Bernardo da Silva, participou na última terça-feira, dia 16 de junho, do podcast PodOpinar, conduzido pelo cientista político e analista Haroldo Arruda. Em uma entrevista contundente e sem filtros, o líder associativo debateu desde as raízes ideológicas que afetam a disciplina nas escolas públicas até os gargalos financeiros das gestões federal e estadual, culminando no alerta para um colapso iminente na falta de professores no país.
DOUTRINAÇÃO NAS UNIVERSIDADES E CRISE NAS COTAS
Durante o bloco inicial, Fábio Bernardo diagnosticou o que considera a raiz da perda de autoridade dos professores em sala de aula. Segundo ele, houve um “aparelhamento” sutil e sistemático das instituições de ensino e universidades brasileiras guiado por cartilhas de esquerda. Para o presidente, o principal objetivo dessa corrente foi desconstruir conceitos consolidados, como a estrutura familiar e as linhas de hierarquia, resultando em altos índices de indisciplina na educação básica.
O sistema de cotas implementado nas últimas duas décadas também foi alvo de duras críticas por parte do entrevistado e do apresentador Haroldo Arruda. Fábio argumentou que o modelo atual falha no longo prazo por não corrigir a base.
“Estão entrando pessoas para a universidade com grave defasagem do ensino fundamental e médio, sem um conhecimento básico ou capacidade de interpretar textos. O mercado precisa de capacidade técnica, e a ineficiência da base gera um reflexo direto e perigoso na formação profissional”, alertou.
Em contrapartida à crise da escola tradicional, o presidente da AMPE-MT posicionou-se totalmente favorável à regulamentação do homeschooling (ensino domiciliar) no Brasil. Ele ponderou que a modalidade é viável e produtiva desde que a família comprove capacidade técnica ou contrate profissionais qualificados (pedagogos e professores) para ministrar os conteúdos.
CORTES FEDERAIS E O CONTRAPONTO NA GESTÃO MAURO MENDES
A condução financeira do governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi criticada por Fábio, que apontou incoerência entre as promessas de campanha e a prática administrativa, citando os cortes bilionários na pasta da Educação. No campo salarial, o presidente lembrou que o reajuste inicialmente proposto pelo governo federal para o piso do magistério foi de pífios 0,37%, subindo para a casa dos 5,3% apenas após intensa pressão da categoria e desgaste na mídia.
Ao analisar o cenário regional sob a gestão do governador Mauro Mendes (União) em Mato Grosso, o líder da AMPE-MT adotou uma postura equilibrada.
SalariaL: Apontou que o governo estadual pecou no bolso do servidor, permitindo perdas salariais e um achatamento na carreira dos profissionais da educação nos últimos anos.
Infraestrutura: Por outro lado, classificou como histórica a transformação física das escolas. Destacou que mais de 400 unidades escolares passaram por reformas robustas, ganharam complexos esportivos, internet de alta velocidade e inserção tecnológica por meio de Chromebooks — avanços que superam as últimas duas décadas em Mato Grosso.
O FANTASMA DO “APAGÃO DOCENTE” ATÉ 2040
Um dos momentos mais alarmantes da entrevista foi a apresentação de dados sobre o futuro do magistério no Brasil. Fábio trouxe uma projeção técnica indicando que, se o cenário atual não for revertido, o país enfrentará um déficit de 235 mil professores na educação básica até o ano de 2040.
A debandada e a falta de interesse dos jovens pelas licenciaturas, segundo ele, são motivadas pelo tripé: desvalorização salarial, perda drástica do prestígio social e falta de segurança jurídica e emocional em sala de aula para exercer a profissão.
Para enfrentar esses desafios de forma técnica, Fábio fez questão de diferenciar a atuação da AMPE-MT dos sindicatos tradicionais.
“A associação não quer e não se passa por sindicato. Somos um órgão estritamente técnico, sem viés ideológico ou partidário. Nosso foco é o clube de benefícios, a formação de excelência e a assessoria jurídica ao associado. Isso nos dá a independência necessária para sentar e dialogar com qualquer governo, seja ele de direita, centro ou esquerda”, pontuou.
QUADRO PINGA-FOGO: DIGORESTE OU BOBÓ CHEIRA-CHEIRA
No encerramento dinâmico do programa, Fábio Bernardo participou do tradicional quadro de avaliação de personalidades e temas públicos, utilizando termos da cultura regional cuiabana.
Luiz Inácio Lula da Silva: Classificado como “bobó cheira-cheira” (reprovação). O presidente da associação justificou a nota afirmando que a gestão federal utiliza a educação como mera manobra de dominação e aplica reajustes salariais irrisórios aos professores.
Mauro Mendes: Recebeu uma avaliação mista. Fábio manteve o tom crítico em relação à política salarial executada pelo governador, mas validou o selo positivo pelas entregas estruturais e organizacionais na rede de ensino de Mato Grosso.
Jair Bolsonaro: Classificado como “digoreste”. O entrevistado elogiou o ex-presidente por ter concedido o maior aumento real histórico ao piso nacional do magistério durante seu mandato e pela coragem de quebrar paradigmas antigos no debate público.
Auxílio-Livro para Desembargadores: Classificado veementemente como “bobó cheira-cheira”. Fábio classificou o benefício ao Judiciário como um acinte à realidade do funcionalismo público, destacando que o Judiciário brasileiro figura entre os mais caros e lentos do mundo, enquanto professores da rede básica lutam para obter auxílios básicos, como o de alimentação.
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